MUNDO

Serviço de inteligência dos EUA usa celular e smart TV para espionar

Segundo Snowden, a CIA não hackeou os aplicativos, mas os sistemas - o que é "um problema muito maior".

07/03/2017 21:10 BRT | Atualizado 07/03/2017 21:17 BRT
REUTERS FILE PHOTO / Reuters

Wikileaks divulgou nesta terça-feira (7) cerca de 8,7 mil documentos, creditados à CIA (serviço de inteligência norte-americano), que descrevem, em detalhes, as técnicas de espionagem da agência.

O Vault 7, como o pacote de documentos foi chamado, mostra uma enorme variedade de aparelhos que o governo poderia ter acesso.

Isto inclui praticamente tudo desenvolvido pela Microsoft Windows, Android e iOS (sistema operacional da Apple), como telefones, computadores e até smart TVs da Samsung.

O sistema hacker da CIA tem acesso inclusive à mensagens criptografadas, como as enviadas pelo WhatsApp e Telegram. Pode também transformar uma televisão desligada, assim como os telefones, em pontos de escuta.

Ex-agente da NSA (Agência Nacional de Segurança) Edward Snowden explicou no Twitter que a CIA não hackeou os aplicativos, mas os sistemas - o que é "um problema muito maior".

Segundo ele, o governo americano está desenvolvendo vulnerabilidades em produtos dos EUA e está "intencionalmente mantendo os buracos abertos".

De acordo com o Wikileaks, "a CIA perdeu o controle sobre a maior parte de seu arsenal de espionagem cibernética, incluídos softwares maliciosos, vírus, cavalos de tróia, ataques de dia zero, sistemas de controle remoto de software malicioso e documentos associados".

Estou seguro?

Matt Blaze, um pesquisador em criptografia, aconselha as pessoas a olharem para o vazamento de documentos com algum ceticismo. Segundo ele, sistemas grandes apresentam bugs, como todos já sabem.

"O que foi divulgado hoje parece ser principalmente sobre a exploração de plataforma", disse. "A notícia ruim é que essa plataforma é muito poderosa."

Em outras palavras, a menos que você seja um alvo valioso da agência seu telefone tenha sido hackeado.

Porta-voz da CIA, Jonathan Liu afirmou que a agência não comentará o caso nem a autencidade dos papéis.