MULHERES

Milhares assinam petição para impedir goleiro Bruno de voltar aos gramados

Goleiro deixou a prisão em fevereiro após obter um habeas corpus. Em 2013, ele foi condenado a 22 anos de prisão pelo sequestro, o assassinato e a ocultação do cadáver da ex-companheira, Eliza Samudio.

07/03/2017 16:24 -03 | Atualizado 07/03/2017 16:25 -03
Reprodução / Youtube

Mais de 25 mil pessoas assinaram uma petição para que o goleiro Bruno não volte a jogar futebol profissionalmente.

Fora da prisão desde fevereiro devido a um habeas corpus, ele foi condenado, em 2013, a 22 anos de detenção pelo assassinato da ex-companheira, Eliza Samudio.

Jogadores são considerados "ídolos" é este tipo de exemplo não podemos aceitar para nossos filhos. Exigimos uma postura Ética e Moral e não somente populista por parte dos Dirigentes dos clubes.Abaixo-assinado contra contração do goleiro Bruno

O documento pede também que Bruno seja impedido de requerer a guarda do filho, de sete anos.

Um dos advogados do jogador, Luan Veloso Coutinho, afirmou que nove times de futebol apresentaram interesse em contrarar o atleta. Atualmente o goleiro está na casa da esposa, Ingrid Calheiros, no Rio de Janeiro. O Bangu (RJ) desmentiu a informação, assim como a Chapecoense (SC).

O abaixo-assinado foi lançado por Vanuzia Leite Lopes, também conhecida como Vana Lopes, fundadora da ONG Somos Todos Vítimas Unidas, e tem apoio da mãe da vítima, Sonia Fatima Moura.

Em vídeo publicado no Facebook, Vana diz que a petição é uma "injustiça contra a memória da vítima" e que não se pode "aplaudir criminoso em campo de futebol". Ela também disse que a iniciativa não é contra a ressocialização do criminoso.

"Não é certo que em apenas seis anos ele saia, vá jogar futebol e frequentar nossas casas aos domingos, com tanto goleiro precisando de uma primeira chance no País", afirmou.

A entidade foi fundada há cerca de quatro anos como resultado das mobilizações de Vana. Uma das vítimas do médico Roger Abdelmassih, ela criou uma rede para reunir informações sobre o criminoso, que esteve foragido entre 2011 e 2014 após ter recebido um habeas corpus.

O abaixo-assinado será entregue para presidente e diretores da Federação Internacional de Futebol (FIFA), da Confederação Nacional de Futebol (CBF), para o presidente do Montes Claros Futebol Clube, para o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, para um procurador do Ministério Público Federal de Minas Gerais e para ministros do Supremo Tribunal Federal.

Entenda o caso

Bruno Fernandes deixou a prisão em 24 de fevereiro após obter um habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O magistrado decidiu que o goleiro poderia aguardar em liberdade o julgamento de um recurso na Justiça de Minas Gerais. O atleta estava preso preventivamente e ficou detido 6 anos e 7 meses.

A mãe de Eliza já entrou com recurso contra a decisão. Ela argumenta que a liberdade do acusado põe em risco sua integridade física e de seu neto.

Em 2013, o atleta foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão pelo sequestro, o assassinato e a ocultação do cadáver da ex-companheira. Eliza desapareceu em 2010 e o corpo nunca foi achado. Ela tinha 25 anos e era mãe do filho recém-nascido do goleiro. Na época, Bruno era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.

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