MULHERES

Bancada Evangélica quer mulher na presidência para suavizar o conservadorismo

A escolhida é a deputada federal Geovania de Sá (PSDB-SC).

07/03/2017 23:28 -03 | Atualizado 07/03/2017 23:31 -03

Alexssandro Loyola

No Dia Internacional da Mulher, a Bancada Evangélica tenta suavizar a imagem conservadora com a eleição de uma mulher para comandar o grupo. A escolhida é a deputada federal Geovania de Sá (PSDB-SC).

Falta ainda o aval do pastor da Assembleia de Deus para que a deputada seja oficializada nesta quarta-feira (08) na presidência da bancada.

Depois dos arranjos políticos feitos para que fosse a escolhida, Geovania pediu um prazo para dar uma resposta ao grupo.

Disse que consultaria e pediria o aval do pastor da Assembleia de Deus, onde iniciou a carreira política.

Há outros três deputados interessados no cargo: Lincoln Portela (PRB-MG), Roberto Lucena (PV-SP) e Takayama (PSC-PR).

A deputada tem apoio do atual presidente da Frente Evangélica, deputado João Campos (PRB-GO), e de Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que presidiu a comissão do Estatuto da Família e preside a CPI da Lei Rouanet.

Frente progressista

Dentro da bancada, o argumento para apoiar uma mulher é mostrar que o grupo flerta com pautas progressivas.

Ou, como disse um dos integrantes do grupo, "é mostrar que a frente é mais progressista do que vocês imaginam".

Assim como a maioria dos integrantes da bancada, Geovania, entretanto, já se declarou contra as principais pautas dos grupos tradicionalmente progressistas dentro da Câmara dos Deputados.

A deputada, por exemplo, é favorável ao Estatuto da Família, que limita o conceito de família a união apenas entre homem e mulher.

Mas isso não quer dizer que ela seja contra a união homoafetiva. Em entrevista ao Diário Catarinense, a deputada afirmou que não é contra o casamento gay, mas que teve uma vida baseada em princípios cristãos.

Todos têm os seus direitos para escolherem suas vidas afetivas. Mas ali (no voto favorável ao estatuto) eu estava me posicionando enquanto uma parlamentar, enquanto representante de cristãos do meu Estado. Eu represento toda essa massa cristã de Santa Catarina, inclusive os católicos. Então tive muita conversa com padres, com bispos e pastores. Eu votei a favor do relatório por acreditar que a família é constituída por um homem e mulher, por acreditar que uma criança só vem à vida através de uma relação entre homem e mulher. Até hoje nunca vi duas mulheres gerarem uma criança.

Apesar da postura quanto a união homoafetiva, a deputada defende maior participação da mulher na política. Para ela, a tripla jornada feminina é o maior obstáculo para a inclusão.

"Ela (a jornada) atrapalha a participação na sociedade, nos conselhos – num bairro, na comunidade. Tanto que o número de vereadoras esse ano caiu em proporção à última legislatura", disse.

Conservadorismo trava igualdade de gênero

Em 2015, um relatório da Secretaria de Política para Mulheres enviado à ONU afirma que "em diversos setores da sociedade, incluído o Congresso Nacional, o aumento do conservadorismo em discursos e pautas em discussão, bem como a forte presença e intervenção das bancadas religiosas, em particular evangélicas, em temas caros aos movimentos feministas e de mulheres".

Países que mais tratam homens e mulheres como iguais