POLÍTICA

Investigado na Lava Jato, Jucá volta a ser líder do governo Temer

Em gravação, senador do PMDB defendeu “estancar Lava Jato”.

05/03/2017 10:45 BRT | Atualizado 05/03/2017 10:55 BRT
ANDRESSA ANHOLETE via Getty Images
Senador Romero Jucá (PMDB-RR)

O presidente Michel Temer decidiu, neste fim de semana, nomear o senador Romero Jucá (PMDB-RR) para liderança do governo no Senado. O posto é responsável pela articulação na Casa das votações de interesse do Palácio do Planalto.

Ex-ministro do Planejamento do peemedebista, Jucá ocupou a liderança em novembro, mas foi substituído pelo senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), atual ministro de Relações Exteriores.

Já o antigo líder do governo na Câmara, deputado André Moura (PSC-SE), foi escolhido como novo líder do governo no Congresso.

A nomeação do parlamentar próximo ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é um agrado do Planalto ao 'centrão', da Câmara, que perdeu a eleição da presidência da Casa para Rodrigo Maia (DEM-RJ), em fevereiro.

Presidente do PMDB e defensor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, Jucá saiu do ministério do Planejamento com apenas 12 dias no cargo, após o vazamento de uma conversa entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

No áudio, ele diz que "tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria", ao falar da Operação Lava Jato.

O senador é investigado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Em delação, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmou que negociou com Jucá e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), apoio à sua permanência no cargo em troca de propina.

O peemedebista também é investigado por suposto pagamento de propina na construção da usina Belo Monte.

No âmbito da Operação Zelotes, a suspeita é de que um grupo de lobistas pagou R$ 15 milhões em propina a Jucá, em troca de favorecimento na tramitação de medidas provisórias de interesse do setor automotivo.

Em delação, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho chama o parlamentar de "Resolvedor da República no Congresso" e diz que ele atuava como "anteparo das manobras que podiam surgir na Câmara dos Deputados" contrárias aos interesses da empreiteira.O senador nega as acusações.

Em fevereiro, ao falar sobre o fim do foro privielegiado, o peemedebista afirmou que "se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada".

Na vida pública desde a década de 1980, Jucá já ocupou a liderança do governo nas gestões de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

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