LGBT

Campanha mobiliza luta contra transfobia após a morte de Dandara

‘Amor continua longe das travestis e transexuais’ diz Jean Wyllys sobre caso de travesti que foi torturada e morta em Fortaleza.

05/03/2017 16:00 -03 | Atualizado 05/03/2017 16:10 -03
Reprodução / Facebook
Campanha #PelaVidaDasPessoasTrans

A morte da travesti Dandara, de 42 anos, causou comoção na internet e iniciou uma mobilização com a campanha #PelaVidaDasPessoasTrans.

Na próxima sexta-feira (10), será feita uma marcha, em Fortaleza, contra a lgbtfobia. O ato será às 9 horas da manhã, em frente ao Palácio Iracema, sede do governo do Ceará.

Dandara foi espancada, torturada e morta por cinco homens em 15 de fevereiro, no bairro Bom Jardim, em Fortaleza (CE), de acordo com o jornal O Povo.

No vídeo com pouco mais de um minuto, aparecem imagens da vítima sendo recebendo chutes e tapas e sendo agredida com um pedaço de madeira. Ela sangra e tenta subir no carrinho de mão enferrujado.

Desde o início do ano, pelo menos 20 travestis, mulheres transexuais e homens trans foram assassinados, de acordo com a Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil (Rede Trans Brasil). O levantamento é feito por meio de casos noticiados.

No dossiê de 2016, a organização contabilizou 144 assassinatos de pessoas trans no Brasil em casos notificados pela imprensa, redes sociais e repassados também através de grupos de WhatsApp.

Todos os casos são vistos, checados e contabilizados pela militante e professora Sayonara Nogueira e o seu marido, o professor Euclides Afonso Cabral. No documento, a presidente da Rede Trans Brasil, Thatiane Araújo, alerta para a dificuldade de obter dar visibilidade à causa.

Ninguém se atenta que a travesti está morrendo. A gente não pode esperar que o outro vá pensar na nossa dor, esperar que o outro vá procurar a verdade de uma matéria para não invisibilizar as pessoastrans.Thatiane Araújo, presidente da Rede Trans Brasil

Pesquisa da rede europeia Transgender Europe (TGEU) aponta que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans e gênero-diversas no mundo.

Único deputado federal gay assumido, Jean Wyllys (PSOL-RJ), afirmou que irá acionar o Ministério Público Federal "e todos os organismos responsáveis". "Vou acompanhar este caso, para impedir que fique impune".

As imagens de Dandara morrendo apenas por ser trans, vítima dos seguidores dessa gente, está aí para contar ao país e ao mundo a verdadeira história desse presente triste contra o qual continuaremos lutando.Deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ)

Wyllys citou o caso da transexual Gisberta, torturada e morta em 2006, em Portugal, que "chocou a Europa e levou a mudanças nas leis do país sobre crime de ódio". "Aqui, esses assassinatos são ignorados pela maioria do parlamento (alguns deputados até os incentiva indiretamente) e aplaudidos por cidadãos em comentários nas redes sociais", criticou o deputado.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que as investigações sobre o crime estão a cargo do 32º Distrito Policial e "estão bem adiantadas".

Em nota, o governo do Ceará manifestou "profundo repúdio a atos de violência e intolerância como o que foi praticado contra Dandara dos Santos, morta por brutal espancamento. Cumpre informar que toda a estrutura da Segurança Pública do Estado está mobilizada para a apuração do crime e punição dos responsáveis".

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