POLÍTICA

Odebrecht repassou R$ 9 milhões em caixa 2 a pedido de Aécio, diz delator

Depoimento foi dado na ação em que o PSDB pede a cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer

03/03/2017 08:41 -03 | Atualizado 03/03/2017 21:56 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Senador Aécio Neves (PSDB-MG)

O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedito Júnior, disse em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quinta-feira (2) que a empreiteira doou R$ 9 milhões em caixa dois para campanhas eleitorais do PSDB e do PP.

O pedido teria sido feito pelo presidente do partido, senador Aécio Neves, candidato à Presidência da República em 2014.

Segundo o empresário, a Odebrecht repassou R$ 6 milhões para as campanhas de Pimenta da Veiga, candidato tucano derrotado ao governo de Minas, Antonio Anastasia, eleito senador, e Dimas Fabiano Toledo Júnior, deputado federal aquele ano pelo PP mineiro.

Outros R$ 3 milhões foram repassados para o publicitário Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha presidencial de Aécio Neves, de acordo com Benedito Júnior.

O depoimento foi dado no processo que investiga abuso de poder econômico e político na chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, eleita naquele ano. O processo foi movido pelo PSDB, derrotado na disputa.

Detalhes sobre as supostas doações ilegais para Aécio não foram revelados porque o empreiteiro foi interrompido pelo ministro Herman Benjamin, relator do processo, por não considerar pertinente ao caso.

Benedito não disse se encontrou ou se tratou pessoalmente com o tucano sobre as doações. Ele também não informou se os pagamentos foram realizados em dinheiro.

De acordo com a assessoria de imprensa de Aécio, ele jamais pediu que a ajuda fosse feita por meio de caixa dois. O advogado do senador, Flávio Henrique Pereira, afirma que "em momento algum o depoente afirmou que o senador pediu contribuição por meio de caixa dois, mesmo porque isso nunca ocorreu".

Em vídeo, o senador negou irregularidades.

A assessoria de Anastasia declarou que ele "nunca tratou, no curso de sua trajetória pessoal ou política, com qualquer pessoa ou empresa sobre qualquer assunto ilícito". Dimas Fabiano afirmou não conhecer o delator e negou ter recebido doações da Odebrecht.

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