POLÍTICA

O que a troca no Itamaraty muda para o Mercosul?

Novo ministro, Aloysio Nunes prometeu “nova vida” ao bloco. O antecessor, José serra, já chamou a rede de comércio de ‘“delírio megalomaníaco”.

03/03/2017 11:30 -03 | Atualizado 03/03/2017 11:32 -03
Montagem / Agência Brasil

Em sua primeira declaração após ser anunciado como novo ministro das Relações Exteriores, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) prometeu priorizar o Mercosul e as relações econômicas do Brasil com outros países.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o tucano afirmou "a política externa, nesse momento em que o Brasil começa a sair de uma crise profunda, pode dar uma grande contribuição, especialmente na área econômica, na área do comércio internacional, na área de investimentos para trazer mais investimentos, prosperidade e mais empregos para o Brasil".

Ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, o novo chanceler se notabilizou pela oposição à política externa dos Governos petistas, especialmente à proximidade com a Venezuela.

Após ser escolhido pelo presidente Michel Temer para o Itamaraty, o senador destacou a necessidade de fortalecer o Mercosul, a relação do bloco com a União Européia e com a Aliança para o Pacífico (México, Peru, Colômbia e Chile).

Nós temos alguns desafios muito importantes, como dar nova vida ao Mercosul, aproximar o Mercosul dos países da Aliança para o Pacífico. Agora, um entendimento entre o Mercosul e a União Europeia pode dar também uma nova oportunidade para uma inserção mais competitiva do Brasil no mundo.Aloysio Nunes

A posse de Aloysio será na próxima terça-feira (7), junto com Osmar Serraglio, novo ministro da Justiça. O tucano ocupa o cargo deixado por José Serra em fevereiro, por motivo de saúde. Ele retoma o posto de senador pelo PSDB de São Paulo.

Antes de integrar o governo Temer, Serra classificou o Mercosul com um "delírio megalomaníaco", em diversos discursos no plenário do Senado.

"O Mercosul foi um delírio megalomaníaco, e olha que atravessou vários governos, que pretendeu promover uma união alfandegária entre Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Sabe o que é uma união alfandegária? É uma renúncia à soberania da política comercial", disse em 4 de março de 2015.

Á frente do ministério, Serra afirmou, em setembro, que um acordo de livre comércio entre o bloco econômico e a União Europeia sairia em até dois anos.

"Existem resistências na União Europeia, por causa de mobilizações protecionistas em alguns países", disse Serra, reforçando que Espanha, Itália, Portugal e Suécia são "amplamente a favor" da aproximação.

A meta é reduzir impostos alfandegários, remover barreiras ao comércio de serviços e aprimorar as regras de compras governamentais, procedimentos alfandegários, barreiras técnicas ao comércio e proteção à propriedade intelectual.

As negociações entre o Mercosul e a União Europeia foram iniciadas em 1999, interrompidas em 2004 e relançadas em 2010. A associação inclui bens, serviços, investimentos e compras governamentais.

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