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Odebrecht confirma R$ 150 milhões em caixa 2 à chapa Dilma-Temer em 2014, diz TV Globo

Parte da doação teria sido em contrapartida à aprovação de medidas tributárias que beneficiariam a empresa.

02/03/2017 08:43 -03 | Atualizado 02/03/2017 15:04 -03
Ricardo Moraes / Reuters
Odebrecht confirma doação ilegal à chapa Dilma-Temer em 2014.

Em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última quarta-feira (1), Marcelo Odebrecht diz ter doado R$ 150 milhões como caixa dois à chapa Dilma-Temer na eleição de 2014, segundo informações do G1 e da TV Globo.

As declarações foram prestadas em Curitiba à Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral e fazem parte do processo encabeçado pelo PSDB, que pede a cassação da chapa na última eleição presidencial.

O pagamento do valor foi direcionado ao publicitário João Santana, responsável pelo marketing do PT, via transações em espécie no exterior.

Parte da doação teria sido uma contrapartida para aprovação de medidas tributárias que beneficiariam a empresa de engenharia, como a medida provisória (MP) do Refis.

De acordo com Estadão e G1, Odebrecht diz que Dilma Rousseff sabia das doações ilegais. Entretanto, a Reuters informa que o executivo disse que não tinha certeza de que Dilma e Temer sabiam do caixa 2.

No depoimento, Odebrecht não informou quanto do valor total da doação foi repassado como propina. Mas declarou que pelo menos R$50 milhões foram acertados com o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para aprovar a MP 470/2009, que trata das medidas tributárias.

O ex-presidente da Odebrecht também confirmou ter se encontrado com Michel Temer para tratar de doações para o PMDB, mas não afirmou qual o valor foi discutido com o então vice-presidente.

Ele afirma ter participado de um jantar no Palácio do Jaburu, mas garantiu que o tema foi tratado "de forma genérica", de acordo com a Reuters.

No depoimento, Odebrecht completou que os valores que seriam repassados ao PMDB foram discutidos entre o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da empreiteira Claudio Mello Filho e o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Segundo o G1, Mello Filho afirmou em delação ao Ministério Público Federal (MPF) que o presidente Michel Temer pediu R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht.

Em nota à imprensa, a assessoria de Dilma Rousseff negou as acusações.

NOTA À IMPRENSA

Sobre as declarações do empresário Marcelo Odebrecht em depoimento à Justiça Eleitoral, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff afirma:

1. É mentirosa a informação de que Dilma Rousseff teria pedido recursos ao senhor Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, ou mesmo autorizado pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois, durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014.

2. Também não é verdade que Dilma Rousseff tenha indicado o ex-ministro Guido Mantega como seu representante junto a qualquer empresa tendo como objetivo a arrecadação financeira para as campanhas presidenciais. Nas duas eleições, foram designados tesoureiros, de acordo com a legislação. O próprio ex-ministro Guido Mantega desmentiu tal informação.

3. A insistência em impor à ex-presidenta uma conduta suspeita ou lesiva à democracia ou ao processo eleitoral é um insulto à sua honestidade e um despropósito a quem quer conhecer a verdade sobre os fatos.

4. Estranhamente, são divulgadas à imprensa, sempre de maneira seletiva, trechos de declarações ou informações truncadas. E ocorrem justamente quando vêm à tona novas suspeitas contra os artífices do Golpe de 2016, que resultou no impeachment da ex-presidenta da República.

5. Dilma Rousseff tem a certeza de que a verdade irá prevalecer e o caráter lesivo das acusações infundadas será reparado na própria Justiça.

6. Por fim, cabe reiterar que todas as doações às campanhas de Dilma Rousseff foram feitas de acordo com a legislação, tendo as duas prestações de contas sido aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Ao G1, o Palácio do Planalto confirmou o encontro, mas nega caixa dois. As assessorias dos outros políticos não se manifestaram sobre as declarações até a publicação desta reportagem.

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