POLÍTICA

Após reforma de mais de R$ 20 mil, Temer desiste de morar no Alvorada

Presidente e família não se adaptaram à residência oficial e voltaram para o Palácio do Jaburu.

02/03/2017 12:45 -03 | Atualizado 02/03/2017 13:00 -03
Adriano Machado / Reuters
Presidente Michel Temer, com primeira-dama Marcela Temer e o filho do casal, Michel

Após passar uma semana morando no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente da República, Michel Temer decidiu retornar com a família ao Palácio do Jaburu, residência reservada para o vice-presidente.

O peemedebista vive lá desde 2011, quando foi eleito na chapa com a ex-presidente Dilma Rousseff. Desde então, ele tem usado o local para reuniões com parlamentares.

De acordo com assessores, Temer não se adaptou ao Alvorada devido às grandes proporções e considera o Jaburu mais aconchegante.

O presidente havia se mudado para o Alvorada com a esposa, Marcela, e o filho, Michel, na sexta-feira (17), após uma série de reformas no palácio que custaram R$ 20.279,65, de acordo com o G1.

As mudanças incluíram uma tela de proteção para a criança de sete anos, cujo quarto era na área privada, no segundo andar da residência oficial, próximo ao dormitório presidencial.

Na gestão de Dilma, a sala servia como um tipo de escritório. Os móveis foram trocados e as paredes e teto pintados para receber o caçula do peemedebista.

Foram feitas ainda mudanças na tapeçaria e em algumas peças de obra de arte para atender ao gosto da família.

O Alvorada também passou a ter um escritório no primeiro andar, próximo à área da biblioteca, para Marcela Temer atuar como embaixadora do programa social Criança Feliz. Ela tem disponível um gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto, com vista para a Praça dos Três.

Curador dos Palácios do Planalto e Alvorada entre 2008 e 2016 e ex-técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Rogério Carvalho, afirmou que a grade "agride o prédio, que é tombado".

A instalação da tela foi autorizada pelo Iphan, "em caráter temporário", para atender a questões de segurança, desde que "nenhum elemento de fixação poderá utilizar as superfícies revestidas em pedra (mármore)". O instituto autorizou a instalação da tela em outubro de 2016. O Alvorada foi tombado em 2007, a pedido do arquiteto Oscar Niemeyer.

Também foram feitas mudanças na decoração da residência oficial para receber a família Temer. "A primeira-dama não gosta de vermelho, então vamos tirar todos os tapetes. Pediram que o tapete vermelho fosse substituído porque eles não gostam de vermelho", afirmou o ex-secretário-executivo da Comissão de Curadoria dos Palácios Claudio Soares Rocha, ao Poder 360.

Quando assumiu o comando do País, o peemedebista considerou permanecer no Palácio do Jaburu por uma questão de comodidade. Ele foi aconselhado, contudo, a se mudar para o Alvorada em gesto simbólico a fim de reforçar a legitimidade de seu governo e refutar o discurso de que o impeachment foi um golpe.

Em nota, Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República negou que o Alvorada tenha passado por reformas para receber a família de Temer.

"Como todo prédio público tombado, o Alvorada recebe periodicamente serviços de manutenção e reparos. Os últimos, envolveram pintura geral do prédio, salas, pisos e reparos em armários. Da mesma forma, o Palácio do Jaburu passa por manutenção periódica. Reparos estão sendo feitos na parte elétrica, de marcenaria e refrigeração", diz a nota.

Marcela Temer