POLÍTICA

7 anos e meio: Esta é a pena por um furto de fraldas e a de um delator da Odebrecht

Levantamento da Folha de S.Paulo mostra que uma manicure que furtou fraldas e um dos executivos da Odebrecht tiveram pena semelhante.

28/02/2017 09:11 -03 | Atualizado 28/02/2017 11:03 -03
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Levantamento feito Folha de S.Paulo mostra que uma manicure que furtou uma fralda e um dos executivos da Odebrecht que fecharam acordo de delação premiada na Lava Jato tiveram pena semelhante. A Justiça puniu os dois com uma sentença de sete anos e meio.

Os quatro pacotes de fraldas que Keli Gomes da Silva furtou equivalem a aproximadamente R$ 150. Já o esquema de corrupção orquestrado pela Odebrecht envolve pelo menos R$ 1,9 bilhão em propina.

Ao jornal, a juíza e pesquisadora Fernanda Afonso de Almeida destaca a diferença em como a Legislação brasileira analisa os casos.

Em crimes de colarinho branco, no qual a pessoa devolve o dinheiro roubado, há possibilidade de anular a pena. Já em casos de roubo, mesmo que a pessoa devolva o objeto, a pena permanece.

Embora a delação seja atenuante da pena, os delatores da Odebrecht são os que ficarão presos por mais tempo. Marcelo Odebrecht cumprirá dez anos, cinco em regime fechado.

A pena de Keli teve o agravante de ela ser reincidente. No caso de roubo impróprio, a pena base é de quatro anos.

Políticos

Enquanto os delatores da Lava Jato têm uma condenação rápida na primeira instância e os cidadãos comuns geralmente aguardam o julgamento em prisão preventiva, os políticos com foro privilegiado estão com os processos em andamento no Supremo Tribunal Federal há três anos.

A Justiça de Curitiba já condenou 87 investigados na Lava Jato, desde que a operação foi iniciada, com 125 sentenças.

Entenda a Operação Lava Jato