ENTRETENIMENTO

Convertido há 17 anos, Mahershala Ali é o 1º ator muçulmano a ganhar um Oscar

Ator recebeu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação em 'Moonlight'.

27/02/2017 15:56 -03 | Atualizado 28/02/2017 13:55 -03
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Mahershalalhashbaz Gilmore, recebeu o "Ali" após a conversão.

Mahershala Ali entrou para a história do Oscar na noite deste domingo (26), ao se tornar o primeiro ator muçulmano a ganhar uma estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Nascido em Oakland, na Califórnia, o astro de Moonlight: Sob a Luz do Luar se converteu ao islamismo quando tinha 25 anos de idade. Seu nome de batismo, Mahershalalhashbaz Gilmore, recebeu o "Ali" após a conversão.

O ator Omar Sharif foi quem chegou mais perto do feito inédito, quando em 1963 foi indicado por seu seu trabalho em Lawrence da Arábia, mas saiu da cerimônia de mãos abanando.

Hoje com 43 anos, Ali, que também integrou o elenco de Estrelas Além do Tempo - também indicado ao Oscar - citou seus "maravilhosos professores" no discurso de agradecimento, assim como sua esposa, Amatus Sami-Karim, que havia dado à luz alguns dias antes.

"Sou abençoado por ter tido uma oportunidade. Foi uma experiência maravilhosa", disse o ator, agradecendo na sequência o diretor de Moonlight, Barry Jenkins, e a Tarell Alvin McCraney, que escreveu a peça semi-autobiográfica na qual o filme se baseia.

O papel do traficante acolhedor em Moonlight já havia rendido ao ator outro importante honraria da indústria do cinema: o SAG Awards, premiação do sindicato dos atores de Hollywood.

Na ocasião, o ator fez um discurso reativo à ordem executiva anti-imigração do presidente dos EUA, Donald Trump. "O que aprendi em Moonlight é o que acontece quando perseguimos as pessoas", declarou, ressaltando sua condição de muçulmano.

E prosseguiu:

"Nós ficamos presos nas minúcias, nos detalhes que nos tornam diferentes. Acho que existem duas maneiras de olhar para isso. Existe a oportunidade de ver a textura daquela pessoa, as características que a fazem única. E existem também a possibilidade de entrar em guerra por conta disso. Minha mãe é pastora. Eu sou muçulmano. Ela não deu cambalhotas quando eu contei que me converti, 17 anos atrás. Mas eu digo a vocês agora: nós deixamos isso de lado. E eu sou capaz de vê-la, e ela é capaz de me ver. Nós nos amamos, o amor cresceu."

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