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A maioria da população nestes países europeus barraria a entrada de muçulmanos

A islamofobia não é um problema exclusivamente americano.

26/02/2017 11:18 -03 | Atualizado 26/02/2017 11:35 -03
LOUISA GOULIAMAKI via Getty Images
A oposição à entrada de migrantes muçulmanos tende a ser maior entre os entrevistados aposentados e mais velhos.

Os imigrantes estão sentindo o efeito negativo do crescente sentimento antimuçulmano na Europa.

Uma pesquisa que acaba de ser divulgada pelo "think tank" político Chatham House, de Londres, constatou que a maioria da população em oito países europeus é a favor da ideia de proibir a entrada de migrantes de países de maioria muçulmana.

O Chatham House, que não tem vínculos com nenhum organismo político, pesquisou amostras nacionalmente representativas das populações adultas da Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Itália, Polônia, Espanha e Reino Unido. O instituto perguntou a um total de 10.195 pessoas nesses dez países se concordavam ou discordavam da seguinte afirmação: "Toda migração adicional vinda de países de maioria muçulmana deve parar".

Os resultados revelaram que a maioria da população em oito dos dez países concorda com a afirmação. Mas o tamanho da maioria varia de país para país.

Na Polônia, 71% dos entrevistados defenderam que sejam barrados migrantes de países de maioria muçulmana; na Itália, 51% indicaram a mesma posição. 65% dos entrevistados na Áustria, 61% da França e 53% da Alemanha concordaram.

Grandes maiorias no Reino Unido e na Espanha – respectivamente 47% e 41% -- também concordaram com a afirmação. Uma média de 55% dos entrevistados nos dez países foi a favor da proibição de entrada de migrantes muçulmanos.

A porcentagem de entrevistados que discordou da afirmação não passou de 32% em qualquer um dos dez países.

"Os resultados obtidos são preocupantes e impõem uma reflexão", escreveram os pesquisadores em um release para a imprensa. "Sugerem que a oposição pública a qualquer migração adicional vinda de países predominantemente muçulmanos não se limita à base eleitoral de Trump, nos Estados Unidos, mas é bastante ampla."

Eles observaram que a oposição à entrada de migrantes muçulmanos tende a ser maior entre os entrevistados aposentados e mais velhos.

Os dez países envolvidos na pesquisa são membros da União Europeia, embora o Reino Unido tenha votado recentemente por dar início ao processo de saída do bloco. Vários dos países onde a maioria se disse a favor de barrar a migração de muçulmanos, incluindo a França e a Bélgica, sofreram ataques terroristas nos últimos anos cometidos por pessoas que se diziam muçulmanas. Mas em toda a União Europeia, nos últimos anos, houve três a quatro vezes mais ataques terroristas cometidos por grupos separatistas e etno-nacionalistas que por muçulmanos, segundo a Europol.

As pessoas com atitudes islamofóbicas parecem ignorar os resultados de pesquisas. Depois de o presidente americano Donald Trump ter assinado uma ordem executiva barrando a concessão de vistos a pessoas de sete países de maioria muçulmana, uma análise do Instituto Cato revelou que nenhum ataque terrorista fatal foi cometido por imigrantes dessess sete países em mais de 40 anos.

A pesquisa do Chatham House foi feita entre 12 de dezembro de 2016 e 11 de janeiro deste ano, várias semanas antes de Trump assinar seu decreto, mas numa época em que ele já estava aventando a ideia.

Os americanos repudiaram o decreto, sustado recentemente por um juiz federal. No dia 9 de fevereiro o Tribunal de Recursos do 9º Circuito dos EUA confirmou a suspensão da ordem.

Líderes da Alemanha, Itália e do Reino Unido manifestaram oposição à ordem executiva de Trump no dia depois de ele a assinar. Mas a chegada de grande número de refugiados ajudou a gerar um sentimento de extrema direita, antimigrantes e antimuçulmanos em muitos países europeus, onde, além disso, os cidadãos geralmente sobrestimam em muito a população muçulmana que já vive em seu país.

Uma pesquisa da IpsosMORI no ano passado constatou que nos países da Europa ocidental, nos EUA e no Canadá, muitas pessoas superestimam a parcela de muçulmanos em seus países. Os entrevistados na França estimaram a população muçulmana em seu país como sendo quatro vezes maior que na realidade. Nos Estados Unidos, revelou a pesquisa, as pessoas achavam que há 17 vezes mais americanos muçulmanos do que existem na realidade.

Mas o pesquisador sobre religião e direito Engy Abdelkader, da Universidade Georgetown, rejeita a noção de que o sentimento antimuçulmano seja uma questão puramente política.

As ameaças e os atos de violência antimuçulmana em vários contextos europeus demonstram cada vez mais que um simples sentimento de insatisfação com os problemas políticos, sociais ou econômicos", escreveu Abdelkader em uma análise da islamofobia europeia. "Em vez disso, revelam um sentimento de ódio crescente em relação aos muçulmanos enquanto povo.

Equipe Olímpica de Atletas Refugiados