ENTRETENIMENTO

Esta é Joi McMillon, a 1ª mulher negra indicada a um Oscar pela edição de um filme

McMillon exerceu papel importantíssimo no muito aclamado 'Moonlight – Sob a Luz do Luar'.

25/02/2017 14:37 -03 | Atualizado 25/02/2017 14:41 -03
Matt Winkelmeyer via Getty Images
“Acho fundamental estarmos dizendo às pessoas que estas histórias têm importância”, diz McMillon ao HuffPost.

Joi McMillon se diz "extremamente honrada por estar fazendo história" com seu primeiro longa-metragem na 89ª edição do Oscar.

Ela, co-editora do filme Moonlight – Sob a Luz do Luar, recebeu uma das oito indicações ao Oscar dadas ao filme. Ao lado do co-editor Nat Sanders, ela foi citada na categoria de melhor edição de um filme, tornando-se a primeira mulher afro-americana a ser indicada nessa categoria.

Escrito e dirigido por Barry Jenkins, Moonlight, que recebeu o Globo de Ouro de melhor longa-metragem dramático, assinala um reencontro de Jenkins e McMillon, que se conheceram quando ambos eram estudantes de cinema na universidade Florida State. Eles já tinham colaborado antes no curta Clorophyl, dirigido por Jenkins em 2011.

McMillon disse ao Huffington Post que compreende a importância da indicação ao Oscar e entende que, com isso, ela ganhou a responsabilidade de cultivar e inspirar futuros editores de filmes sobre e por pessoas negras.

"Sei que quando esta situação acontece, querendo ou não, muitas vezes você é a primeira e se torna um exemplo a ser seguido pela geração seguinte. E eu levo essa responsabilidade a sério", ela disse.

"Espero que, pelo fato de eu ser a primeira mulher afro-americana a ser indicada na categoria de melhor edição, isso exponha uma geração mais jovem ao trabalho do editor, talvez levando as pessoas a se interessar e querer saber o que faz o editor de um filme ou a pensar 'quem sabe eu possa ser editor'. Acho isso realmente bacana. É uma sensação um pouco surreal, mas é bacana, sem sombra de dúvida."

Neil Hall / Reuters
Membros do elenco de

As oito indicações ao Oscar recebidas por Moonlight representam uma vitória para o filme em matéria de representação da comunidade negra e também da comunidade LGBT. McMillon disse que a decisão da Academia de reconhecer um filme que destaca a interseção entre as duas comunidades talvez ajude a conseguir que sejam contadas outras histórias semelhantes.

"Acho fundamental estarmos dizendo às pessoas que estas histórias têm importância", ela disse.

"O reconhecimento e a consideração validam o filme. Essa é uma das coisas tão incríveis de Moonlight. As pessoas podem postar suas histórias online, e com isso elas se sentem um pouco menos isoladas e colocadas no ostracismo. Acho que o reconhecimento pela Academia está dizendo às pessoas: 'Estamos ouvindo sua voz, estamos prestando atenção a ela. Queremos que vocês continuem a ser ouvidos.'"

Em última análise, disse McMillon, os americanos precisam enxergar "Moonlight" como mais do que um mero "filme sobre negros".

"O filme representa pessoas que vivem em nosso país", ela disse. "Muitas vezes, quando criamos representações de nós como sendo a América, nós nos representamos por meio de Tom Cruise ou Tom Hanks. Adoro o fato de que as pessoas podem dizer que Moonlight é um filme americano – não um 'filme negro' ou um 'filme afro-americano', mas um 'filme americano'. Ele mostra a vida atual de pessoas na América."

Este conteúdo foi publicado originalmente pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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