POLÍTICA

Pastor Silas Malafaia é indiciado por lavagem de dinheiro, diz revista

Para PF, Malafaia participou de um esquema de corrupção ligado a royalties da mineração

24/02/2017 08:59 -03 | Atualizado 24/02/2017 10:06 -03
Ueslei Marcelino / Reuters

Parece que o jogo virou para Silas Malafaia, o "pastor da moral" da Assembleia de Deus. Um relatório de conclusão de inquérito obtido pela revista IstoÉ revelou que a Polícia Federal indiciou o pastor por lavagem de dinheiro e participação em um esquema de corrupção ligado a royalties da mineração.

Segundo a PF, o pastor teria recebido R$ 100 mil de um escritório de advocacia que estava no centro do esquema de corrupção.

O relatório de conclusão da PF é referente às informações colhidas da Operação Timóteo, na qual Malafaia havia sido alvo de condução coercitiva em dezembro de 2016. A operação foi batizada de Timóteo como inspiração em passagem do livro homônimo da Bíblia:

"Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruião."

Na época, Malafaia afirmou que os R$ 100 mil recebidos foram "doados" de um empresário, após o pastor "orar" por ele. Malafaia disse que o empresário fez um depósito em sua conta bancária pessoal depois da oração.

Ele acrescentou ainda que foi alvo de perseguição. "Estou desafiando a provarem que eu estou envolvido com esses canalhas, meta eles na cadeia", disparou Malafaia. "É uma tentativa de me denegrir."

Mas, para a PF, os referidos R$ 100 mil recebidos como doação por uma oração são recursos ilícitos que foram desviados de prefeituras e repassados como propina -- o que justifica a polícia ter indiciado por corrupção ativa e peculato, de acordo com informações obtidas pela revista.

Além de Malafaia, a PF indiciou 49 pessoas que estariam ligadas ao esquema. Entre eles estão o ex-diretor de Procedimentos Arrecadatórios do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Marco Antônio Valadares Moreira, indiciado como líder da organização criminosa. No total, os valores involvidos no esquema de corrupção e de desvios de impostos sobre mineração ultrapassam os R$ 66 milhões.

Malafaia voltou a criticar os novos fatos. No Twitter, o pastor chamou o jornalista da IstoÉ de "canalha" e alega que a reportagem apenas "requentou" informações para lhe atingir.

Enquanto isso, o Twitter recebeu a notícia e já ficou em clima de Carnaval. Os usuários ironizaram o fato de Silas Malafaia, que é criticado por suas declarações homofóbicas e machistas, ser justamente indiciado por uma provável falta de ética e desvio de conduta. Será que o jogo virou?

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