ENTRETENIMENTO

5 blocos afro que mostram a força da cultura negra no Carnaval (e você precisa conhecer)

Uma breve lista dos grupos que exaltam a identidade negra na capital baiana.

24/02/2017 19:43 -03 | Atualizado 25/02/2017 19:34 -03

Valorização do negro e luta contra o racismo. Passos de dança e fantasias multicoloridas. Danças e batuques de tambores. Muitos tambores.

São esses os principais elementos que compõem os blocos afros, que há mais de 40 anos fazem a alegria de milhares de pessoas nas ruas de Salvador.

Expressão cultural que resgata e enaltece as raízes africanas na formação do Brasil, o blocos afro e afoxés podem e vão além da folia de Carnaval.

Além de realizar uma afirmação étnica das comunidades negras da Bahia, os grupos em sua maioria realizam ações educativas e de formação profissional para os moradores dos bairros periféricos. Bloco afro não é só festa, é também ação política.

A seguir, você conhece cinco dos principais grupos que anualmente fazem a festa e impactam a vida não só de baianos, mas de pessoas do mundo inteiro.

Ilê Aiyê

Shai Andrade

O Ilê Aiyê é o bloco afro mais antigo do Brasil. Nasceu em 1974, no bairro da Liberdade, quando Antônio Carlos Vovô e um amigo decidiram combater o racismo no Carnaval criando uma agremiação formada só por negros - cuja participação se resumia até então em tocar instrumentos ou carregava alegorias, sem protagonismo. A estreia nas ruas de Salvador causou uma revolução que inspiraria a criação de outros grandes grupos. Com sua expressão que evoca as raízes africanas, hoje o Ilê Aiyê é patrimônio da cultura baiana e tem um dos desfiles mais esperados e aplaudidos do Carnaval. A força e tradição do bloco é conhecida em todo o Brasil. Prova disso são os populares versos da canção Que Bloco é Esse, a primeira do grupo: "Somo crioulo doido e somos bem legal / Temos cabelo duro é só no black power". Puro orgulho negro. Neste ano, o bloco tem como tema as mitologias do povo jeje, habitantes de Togo, Gana, Benim e regiões vizinhas, na África.

Muzenza

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O bloco Muzenza também foi criado no bairro da Liberdade, mas em 1981. De início, surgiu como um tributo ao músico jamaicano Bob Marley, responsável pela popularização internacional do reggae. Com o passar dos anos, sem deixar de lado temas cadenciados pelo ritmo do samba-reggae, o bloco passou a abraçar outras variações rítmicas no Carnaval de Salvador. A história do grupo é marcada por canções que caíram no gosto popular e que foram gravadas por grandes artistas da Bahia, incluindo Daniela Mercury (Swing da Cor), Gal Costa (Brilho e Beleza) e Margareth Menezes (Povo, Vem Ver). No Carnaval deste ano, o bloco Muzenza traz o tema Afrofuturismo.

Malê Debalê

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O Malê Debalê foi criado em 1979 por um grupo de moradores de Itapuã que queriam ver seu bairro participando da efervescente folia de Salvador. O nome do grupo faz referência à população descendente dos Malês, povo de origem africana e de religião muçulmana que lutaram na Revolta dos Malês, que ocorreu em 1835 na capital baiana. O levante queria o fim do sistema escravocrata no Brasil. Com apresentações que chegam a reunir 2 mil dançarinos em coreografias simultâneas, o bloco tem hoje um dos maiores balés afro do mundo. O bloco mantém uma associação de moradores da comunidades, que realiza ações em prol da valorização da cultura negra e do desenvolvimento do bairro de Itapuã.

Didá

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Timbau, tarol, atabaque surdo e repique nas mãos delas. O bloco Didá tem uma peculiaridade: é composto apenas por mulheres. Antes do surgimento do grupo se deu a formação da banda Didá, que ocorreu em 1993 com a finalidade de oferecer às mulheres negras de Salvador um espaço de desenvolvimento e prática de arte-educação. Em 1994, a banda tocou na cerimônia da Lavagem do Bonfim. O grupo só de mulheres tocando samba-reggae causou comoção. Em 1995, ocorreu a estreia do bloco no Carnaval em um pequeno cortejo com cerca de 100 integrantes até a sede, no Pelourinho. No ano seguinte, o bloco reuniu 2 mil mulheres pelas ruas em uma homenagem a princesa Anastácia. Atualmente, o Didá tem 3 mil associadas. Outro diferencial do grupo é a prática de coreografias e danças pelas musicistas, algo inexistente nos blocos formados por homens.

Filhos de Gandhy

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No contexto de blocos afros existem também os afoxés, diretamente ligados ao candomblé e que levam para o Carnaval de rua alguns rituais dos terreiros. Um de seus principais representantes é o Filhos de Gandhy, criado em 1949 por estivadores do Porto de Salvador. O nome tem inspiração na história do líder indiano Mahatma Gandhi, assassinado um ano antes da criação do grupo. Combinando preceitos hindus e tradições africanas, o Filhos de Gandhy é formado apenas por homens. A composição da fantasia dos integrantes é bem específica, sendo formada por um lençol costurado na parte frontal, turbante, broche, sandálias e colares na cor azul e branca – que fazem reverência aos orixás Oxalá e Ogum. A combinação de atabaque, agogê e xequerê dá o ritmo das apresentações.

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