MULHERES

Contra o assédio, Skol distribui apitos para as foliãs em blocos de rua neste Carnaval

A ideia consiste em apitar se alguma mulher presenciar ou estiver sofrendo assédio

23/02/2017 11:17 -03 | Atualizado 23/02/2017 13:59 -03
Felipe Panfili/Divulgação

A marca de cerveja Skol está distribuindo neste Carnaval o apito "anti-assédio" para mulheres que queiram curtir os bloquinhos de rua sem o medo de serem assediada por homens.

A iniciativa apoia a campanha "Apito Contra o Assédio", criada no Carnaval do ano passado pela foliã Lia Marques e amigas em São Luiz do Paraitinga, uma das cidades paulistas mais visitadas durante o feriado.

Na época, o grupo de amigas saíram pelas ruas distribuindo os apitos para outras mulheres com o objetivo de criar uma espécie de escudo contra o assédio e excessos. A ideia consiste em apitar se alguma foliã presenciar ou estiver sofrendo assédio.

Agora, a Skol vai estender essa campanha para diversos blocos de São Paulo, Florianópolis, Salvador e Recife. Os apitos começaram a ser entregues para mulheres no último domingo (18) junto com balões que trazem mensagens que pedem respeito durante a folia, como "Seu repeito me deu onda" ou "O Carnaval é redondo, mas respeite o meu quadrado".

"Nós fizemos um vídeo sugerindo o uso de um apito e soltamos a campanha na internet. A repercussão foi crescendo e muitas pessoas se engajaram", contou Lia Marques. "Quando a Skol nos procurou ficamos orgulhosas, é muito legal ter uma marca apoiando a nossa causa porque a ideia é espalhar isso pelo Brasil."

Erro e o aprendizado

A Skol vem acertando nas campanhas sobre inclusão desde que foi alvo de críticas no Carnaval de 2015, quando criou a ação "Esqueci o 'não' em casa", que, segundo muitas mulheres, reforçava o assédio.

A marca acabou reformulando a campanha e espalhou outdoors com as frases "Quando um não quer, o outro vai dançar" e "Tomou bota? Vai atrás. Do trio."

"Há algum tempo, a Skol vem incorporando essa mensagem de respeito, inclusão e valorização da diversidade. E estamos aprendendo muito com esse processo", disse Maria Fernanda de Albuquerque, diretora de marketing da marca. "Desde a Parada LGBT de São Paulo, tem sido uma jornada muito humana e que ainda irá render muito. O carnaval não poderia ficar de fora e queríamos fazer algo."

Junto com as meninas encontramos uma forma de começar a dar mais visibilidade à essa questão e aproveitar para incentivar todas as pessoas a se divertir com mais respeito.

Em outubro do ano passado, a vice-presidente da Ambev, dona da Skol, Paula Lindenberg afirmou ao HuffPost Brasil que o grupo mudou muito nos últimos anos para democratizar as ações para todos, inclusive para as mulheres.

"A gente sabe que a categoria tem uma associação com a ideia machista, porque realmente essa fórmula foi usada por muito tempo", disse Lindenberg "A gente [da Ambev] tem se afastado completamente desse tipo de rótulo há algum tempo. Por pelo menos cinco anos a gente não usa mais a história da 'mulher de biquíni', daquele estereótipo da 'gostosona'."

'Glitter designer': A profissão 'bombante' deste Carnaval