LGBT

Valentina Sampaio sobre mundo da moda: 'Quero ser reconhecida pela mulher que sou'

Modelo trans estampa a edição de março da revista Vogue Paris.

22/02/2017 12:38 -03 | Atualizado 22/02/2017 15:31 -03
MIGUEL MEDINA via Getty Images

Primeira modelo transgênero a estampar a capa da Vogue Paris, que chega às bancas no dia 23 de fevereiro, Valentina Sampaio concedeu uma entrevista ao blog da Veja na qual falou sobre carreira, preconceito e representativa no mundo da moda.

Natural de Aquiráz, vilarejo no litoral do Ceará, Valentina começou a trabalhar como modelo aos 16 anos ainda no no nordeste, no mesmo período em que começou a faculdade de moda. Aos 21 anos, ela foi eleita embaixadora da L'Oreal Paris no Brasil.

Destaque da última edição da São Paulo Fashion Week, a modelo cearense também brilhou na Elle Brasil de novembro de 2016.

De acordo com Valentina, a estreia internacional foi uma surpresa.

A jovem foi para Londres fazer um editorial para a revista e, enquanto posava, reparou que a editora-chefe, Emanuelle Alt, montava a capa da edição com sua fotos para ver como ficava: "Quando eu vi, não acreditei! Perguntei se era sério aquilo, e ela disse sim".

Em texto sobre a sobre a modelo, a editora-chefe da Vogue Paris afirmou que ela "traz um ideal de beleza francês, que dialoga com a Vogue Paris e com qualquer outra beleza de mulheres que a Vogue já destacou em suas capas, não diferente de modelos como Daria Werbowy ou Anna Ewers; Só que ela nasceu um menino".

A modelo cearense ainda está no início de uma carreira em ascensão, mas já enfrentou a crueldade preconceito por ser uma pessoa transgênero. No começo da carreira, ela foi dispensada de um trabalho minutos antes de fazer as fotos. Os fotógrafos receberam a informação de que ela "não seria uma boa imagem para a marca". "Eu me senti supermal, achava que a errada era eu, só queria sair de lá e esquecer aquele dia", revela.

Apesar do preconceito existente no universo fashion, Valentina tem uma perspectiva otimista de seu trabalho e do mercado: "Eu vejo a moda como um instrumento para derrubar barreiras. Acredito que nela as coisas fluem mais livremente (...) Acredito que há mais liberdade para sermos quem somos, comparado a outros meios", afirma.

Na entrevista, Valentina também falou sobre como a transfobia inviabiliza as pessoas trans. Entretanto, ela acredita que a discussão sobre gênero que ocorre nos últimos anos tem tornado a sociedade mais preparada para aceitar as diferenças e derrubar rótulos.

A grande vitória da transexualidade será quando isso não for mais debatido, mas algo natural. Eu quero ser reconhecida pela mulher que eu sou, e que todas tenham oportunidade de serem também.

Questionada sobre ser um símbolo da causa transexual, a modelo respondeu:

Acho que sim, acredito que as pessoas já me veem assim. Acho importante para que cada vez mais Valentinas possam ter as mesmas oportunidades que eu tive, e que essas meninas sejam ouvidas como seres-humanos, acima de tudo.

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