POLÍTICA

José Serra alega problemas de saúde e deixa Ministério de Relações Exteriores

Tucano é o oitavo ministro a deixar a Esplanada em nove meses do governo de Michel Temer.

22/02/2017 21:12 -03 | Atualizado 22/02/2017 21:29 -03
Henry Romero / Reuters
Ex-ministro de Relações Exteriores José Serra

Ministro de Relações Exteriores do governo de Michel Temer, José Serra, pediu demissão o nesta quarta-feira (22). Ele alegou problemas de saúde.

Na carta de demissão, o tucano afirma que sua condição física o impede de "manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de chanceler. Sem mencionar as dificuldades do dia a dia".

O documento diz ainda que o tempo de recuperação é de quatro meses. O senador licenciad tem um problema na coluna cervical. Em dezembro, ele se submeteu a cirurgia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Ao final, Serra afirma que se orgulha de ter participado do governo Temer e que irá retomar o mandato de senador. Ele diz ainda que irá trabalhar no Congresso pela aprovação de projetos que visem à recuperação da economia desenvolvimento social e consolidação democrática no Brasil.

À frente do Itamaray, o ministro se envolveu em algumas polêmicas. Em uma delas, determinou o envio de uma circular a embaixadores para rebater a tese de que Dilma Rousseff foi vítima de um golpe.

O presidente tem agora nas mãos duas vagas livres na Esplanada, ambas ocupadas por indicados do PSDB anteriormente.

Titular da Justiça, Alexandre de Moraes, deixou o cargo para assumir a vaga do ministro Teori Zavascki no Supremo Tribunal Federal (STF). A intenção de Temer era definir o comando da pasta responsável pela Polícia Federal até o fim desta semana.

Serra é o oitavo ministro a Temer, que assumiu interinamente em maio. Além dele e de Moraes, outros seis deixaram o governo devido a investigações ou desentendimentos.

Em 23 de maio, 12 dias após assumir o Ministério do Planejamento, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) deixou o cargo após o vazamento de uma conversa entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Na gravação, ele diz que é preciso encontrar uma "solução política" para "estancar essa sangria", em referência à Operação Lava Jato.

As gravações de Machado também levaram à derrocada de Fabiano Silveira, ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, pasta criada por Temer após extinguir a Controladoria Geral da União (CGU). O pedido de demissão foi apresentado em 30 de maio, uma semana após a queda de Jucá.

Titular do Turismo, Henrique Eduardo Alves, pediu demissão em 16 de junho, devido ao desgaste ao ter o nome citado em denúncias da Lava Jato.

Em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR), o ex-presidente da Transpetro afirmou que repassou a Henrique Alves R$ 1,55 milhão em propina entre 2008 e 2014, por meio de doações de empreiteiras. Ele nega a acusação.

Em 9 de setembro, foi a vez de o então advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, deixou o cargo. Temer o demitiu após divergências entre o ministro e o titular da Casa Civil e braço direito de Temer, Eliseu Padilha.

Após a demissão, Medina chegou a dizer que "o governo quer abafar a Lava- Jato". Padilha, por sua vez, rebateu dizendo que o advogado-geral queria "holofotes".

Então ministro da Cultura, Marcelo Calero pediu demissão em 18 de novembro, após contar que foi pressionado para beneficiar o então titular da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Segundo Calero, o próprio presidente Temer orientou que ele liberasse a construção de um prédio em Salvador em que Geddel tinha um apartamento. Pressionado pelo episódio, o então responsável pela articulação política pediu demissão em 25 de novembro.

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