MULHERES

Após denúncia de assédio sexual na Uber, presidente da empresa promete investigação

Engenheira denunciou abuso sexual em blog

21/02/2017 10:41 -03 | Atualizado 21/02/2017 16:54 -03
Danish Siddiqui / Reuters
CEO da Uber Travis Kalanick se pronunciou sobre o caso

O CEO da Uber Travis Kalanick informou que vai investigar as denúncias de assédio sexual na sede da empresa, na Califórnia (Estados Unidos).

A ex-engenheira da companhia publicou neste final de semana em seu blog pessoal um relato sobre o assédio sexual que sofreu de seu gestor. Nele, Susan Fowler diz que informou imediatamente o caso para a área de Recursos Humanos e superiores, mas eles preferiram fechar os olhos para o problema.

Segundo a profissional, o assédio começou já na primeira semana após o seu treinamento.

"Em meu primeiro dia oficial na equipe, meu novo chefe mandou várias mensagens no canal de chat da empresa. Ele estava em um relacionamento aberto, disse ele, e sua namorada estava procurando novas companhias e ele não. Ele estava tentando ficar longe de problemas no trabalho, disse ele, mas não poderia evitar porque ele estava à procura de uma mulher para fazer sexo. Estava claro que ele estava tentando me dizer que ele queria fazer sexo comigo (...) eu imediatamente tirei print das mensagens e enviei para o RH [Recursos Humanos]."

Segundo Fowler, o RH e os superiores se recusaram a puni-lo, pois ele teria boas referências. "Eles não se sentiam confortáveis punindo ele por algo que provavelmente foi apenas um mal entendido", escreveu a engenheira.

Com a resposta, ela preferiu procurar outras áreas dentro da empresa e se surpreendeu ao ouvir relatos de outras mulheres que trabalhavam na Uber, "Eu me surpreendi ao saber que algumas delas tinham histórias similares que a minha. Algumas dessas mulheres reportaram assédio do mesmo gestor que o meu."

Fowler trabalhou na Uber entre novembro de 2015 e dezembro de 2016, e passou por outras áreas até deixar a empresa após receber uma nova oportunidade de emprego.

Ela afirma que, quando iniciou na Uber, cerca de 25% dos empregados da área de engenharia eram mulheres. Mas a porcentagem caiu para cerca de 6%. Quando ela questionou o diretor sobre o declínio do número em tão pouco tempo, o direto disse que as mulheres na companhia precisavam ser "melhores engenheiras".

A denúncia viralizou e o caso ganhou destaque na mídia internacional. Em nota ao The Huffington Post dos Estados Unidos, o CEO da empresa afirmou que o caso descrito vai contra todos os valores da empresa.

"Eu acabei de ler o blog de Susan Fowler. O que ela descreve é abominável e vai contra todos os valores que Uber acredita. Essa é a primeira vez que isso chegou até mim, então eu instruí Liana Hornsey, nossa nova diretora de Recursos Humanos, para conduzir uma urgente investigação diante dessas alegações. Nós precisamos fazer da Uber um ambiente de trabalho PARA TODOS e não pode ser um lugar que permita um comportamento como esse -- e todos que se comportem assim ou pensam que está 'ok' com isso serão demitidos."

Esta não é a primeira vez que a Uber lida com casos de assédio sexual. No ano passado, diversos consumidores reclamaram de assédio de motoristas.

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