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Senadores, rejeitem indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal

Ministro da Justiça tucano é praticamente uma caricatura do que não queremos como membro do STF.

21/02/2017 00:29 -03 | Atualizado 21/02/2017 01:19 -03
Ueslei Marcelino / Reuters
Alexandre de Moraes foi indicado por Temer a vaga no STF.

Se existe alguma instituição no País que fez História nos últimos anos e propiciou avanços à sociedade, foi sem dúvida a mais alta Corte do Judiciário.

O Supremo Tribunal Federal legalizou a união homoafetiva, chancelou as ações afirmativas para negros, autorizou pesquisas com células-tronco, descriminalizou aborto nos três primeiros meses de gestação.

Condenou os políticos envolvidos com o mensalão, um dos maiores esquemas de corrupção do Brasil. E agora se prepara para punir os políticos envolvidos com o petrolão, um saque nos cofres daquela que já foi nossa estatal de maior envergadura, econômica e moral.

Entretanto, o STF está prestes a receber um novo integrante cercado por controvérsias. O substituto de Teori Zavascki, morto em acidente aéreo em janeiro deste ano, deve ser o atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes.

O tucano será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta terça-feira (21). Se no Plenário obter 41 votos favoráveis, vai atuar em julgamentos decisivos para o País.

Logo ele, que filiado ao PSDB, será revisor das ações da Operação Lava Jato, que tem várias citações a tucanos como o senador Aécio Neves.

Logo ele, que foi advogado de defesa do malvado favorito da República, Eduardo Cunha. Conseguiu livrar o ex-presidente da Câmara da acusação de uso de documento falso.

Logo ele, que defendeu a Transcooper, cooperativa ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Isso mesmo: um possível defensor de braço do crime organizado poderá determinar em breve o que é legal ou não na nação tupiniquim.

Logo ele, que fala demais e gosta de ostentar, já vazou nova fase da Lava Jato, anunciou de forma circense operação contra terroristas à época da Olimpíada.

Logo ele, que sonha erradicar a maconha na América do Sul. Um sonho incompatível com a imparcialidade do membro de uma Corte que está julgando a descriminalização do usuário de drogas.

Logo ele, ministro da Justiça que não conseguiu evitar a morte de mais de centena de presidiários nos confrontos em cadeias no início do ano. Ações ineficazes e mentirinhas marcaram as trapalhadas de sua gestão.

Logo ele, constitucionalista respeitado, é verdade. Especialista que já argumentou claramente que alguém em cargo de confiança no Executivo é vedado para o cargo de ministro do STF. Para, como defendeu, "evitar-se demonstração de gratidão política ou compromissos que comprometem a independência da nossa Corte Constitucional".

Senadores, (re)leiam o que escreveu Moraes.

Atentem-se às razões aqui escritas, e aquela por ele enfatizada em sua tese de doutorado, e rejeitem a indicação do presidente Michel Temer ao Supremo.

Que Temer escolha um nome mais ético, independente e apartidário para estar à altura do cargo que precisa ser ocupado.

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