POLÍTICA

Privatização da água no Rio consegue unir Freixo e Flávio Bolsonaro

Alerj aprova venda da CEDAE e cerca de 20 manifestantes contrários à medida foram detidos.

20/02/2017 20:28 -03 | Atualizado 20/02/2017 20:52 -03
Montagem / Facebook

Alvo de críticas, o projeto que autoriza a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) conseguiu colocar do mesmo lado os deputados estaduais Marcelo Freixo (PSOL) e Flávio Bolsonaro (PSC).

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou nesta segunda-feira (20) o PL 2.345/17, conforme enviado pelo Palácio Guanabara após todas as comissões da Casa rejeitarem as 211 emendas. Foram 41 votos a favor e 28 contra. A Casa ainda irá apreciar os destaques.

Para a oposição, a medida é extrema e não diminuirá a dívida ativa do governo do estado. Nas contas dos parlamentares, o valor chega a R$ 70 bilhões.

Derrotado na disputa pela prefeitura do Rio em outubro, Freixo afirmou que a venda é prejudicial para a população mais pobre e que "a situação de calamidade que o Rio se encontra é de calamidade política, a principal liderança está presa com mais de 200 processos", afirmou em referência ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), alvo da Lava Jato.

Freixo também divulgou a lista de deputados a favor da privatização.

Filho do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), Flavio deixou claro que não é contra privatizações, mas contra "dar cheque em branco a governo cujo líder está preso por corrupção". Ele chamou a medida de "orgia com o dinheiro público".

Após a aprovação pela Alerj, manifestantes saíram pela avenida Presidente Vargas, no centro da cidade, rumo ao prédio da Cedae. Os funcionários da companhia também participaram do protesto.

Tapumes, uma caixa de som da prefeitura e o prédio da empresa foram depredados e a polícia lançou bombas de gás e balas de borracha. Cerca de 20 pessoas foram detidas.

Recuperação

A venda da Cedae é considerada a principal exigência do governo federal no plano de recuperação fiscal do Rio e foi defendida pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB).

Não terá outra solução para o Rio de Janeiro que não seja a intervenção federal. Eu não acredito que o presidente [Michel] Temer possa fazer isso por causa dos outros Estados. O único que tem dinheiro para botar as contas em dia é o governo federal, ou ele ajuda de uma forma ou faz a intervenção", afirmou o presidente da Assembleia do Rio.Jorge Picciani

O PL aprovado autoriza a privatização da empresa como garantia para o estado buscar um empréstimo com a União de R$ 3,5 bilhões.

De acordo com a proposta, a companhia continua responsável pela captação e produção da água, que será então vendida a entes privados que se responsabilizariam pela distribuição, coleta de esgoto e futuros investimentos. A Cedae atende hoje cerca de 12 milhões de pessoas em 64 municípios e conta com 5.940 funcionários.

Empresa de caráter misto, a companhia tem o Rio como acionista majoritário, com cerca de 99% do capital. Em 2015, a empresa teve um lucro líquido de R$ 248,89 milhões.

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