POLÍTICA

'Não descarto uma candidatura a senadora ou deputada', diz Dilma à AFP

A ex-presidente falou, pela primeira vez, sobre seu futuro político

18/02/2017 15:06 -02 | Atualizado 18/02/2017 15:42 -02
AFP/Getty Images

Pela primeira vez após sofrer impeachment em 2016, a ex-presidente Dilma Rousseff falou sobre seu futuro político. Em entrevista à agência de notícias AFP, Rousseff afirmou que não quer se afastar da atividade política e que pode se candidatar ao cargo de senadora ou deputada.

"Eu não serei candidata a presidente da República, se é essa a sua pergunta", disse a petista à agência.

Eu não afasto a possibilidade de eu me candidatar para esse tipo de cargo: senadora, deputada, esses cargos.

Apesar de sofrer impeachment, a ex-presidente não perdeu seus direitos políticos nos próximos oito anos, o que significa que ela está apta a ocupar cargos públicos. A decisão, tomada pelo Senado logo após o afastamento definitivo de Dilma, surpreendeu a todos, já que o último presidente que foi afastado do cargo, Fernando Collor de Mello, em 1992, ficou inabilitado para ocupar cargos públicos.

Na entrevista, Dilma também foi questionada sobre o seu desconhecimento da rede de subornos e corrupção na Petrobras para financiar campanhas políticas para o Partido dos Trabalhadores. "Os processos são extremamente complicados. Ninguém no Brasil sabe de todos os processos de corrupção hoje", rebateu, alegando que não sabia de nada.

Candidatura de Lula em 2018

Rousseff declarou na última sexta-feira (17) que caso seu padrinho político, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja impedido de ser candidato à Presidência no próximo ano, acontecerá um "segundo golpe" no Brasil.

Na última pesquisa CNT/MDA, divulgada na quarta-feira, Lula lidera em todos os cenários, na intenção espontânea e na estimulada para primeiro e segundo turno.

"O segundo golpe é que eles impeçam o Lula de ser candidato", disse Rousseff ao jornal Folha de S. Paulo. "Seja pelo método que for, não havendo eleição ou havendo condenação, que são as duas hipóteses [de Lula não disputar a eleição presidencial], não quero especular, mas o golpe não acabou", afirmou Dilma.

Impeachment de Dilma Rousseff