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O dia que os imigrantes pararam nos Estados Unidos

"Quando um empregado que nunca faltou um dia em 25 anos chega para você e pede para faltar um dia para marchar contra injustiça, a resposta é fácil."

17/02/2017 00:47 BRST | Atualizado 17/02/2017 17:06 BRST
ROQUE PLANAS/THE HUFFINGTON POST

Em resposta à política de combate aos imigrantes e refugiados adotada pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump, os trabalhadores imigrantes decidiram parar por um dia.

Os chamados para o protesto convidavam os imigrantes naturalizados ou ilegais a ficar em casa, faltar aula, fechar seus negócios e não fazer compras. Moradores de cidades como Chicago, Austin, São Francisco, Detroit, Nova York e Washington aderiram as manifestações.

Ao HuffPost US, uma professora em Austin disse que ficou assustada com as faltas. Apenas quatro dos seus 26 estudantes compareceram à aula."Não esperávamos todas essas faltas. Estávamos preparados, mas não imaginávamos que seria tão grande", disse.

Patrões também aderiram ao protesto e deram apoio a paralisação. Em Chicago, o chef Rick Bayless fechou quatro de seus restaurantes e prometeu doar 10% das vendas de outros dois para uma instituição de amparo a refugiados e imigrantes.

Em Nova York, o Blue Ribbon fechou a maioria de seus restaurantes em solidariedade ao protesto. "Quando um empregado que nunca faltou um dia em 25 anos chega para você e pede para faltar um dia para marchar contra injustiça, a resposta é fácil", diz uma declaração do grupo.

Histórico

Em maio de 2006, na gestão de George W Bush, uma paralisação semelhante tomou contas de ruas dos Estados Unidos. Na época, mais de um milhão marchou contra um projeto de lei que estabelecia rigidez no controle das fronteiras e tornar crime ser um imigrante ilegal vivendo em território norte-americano.

Naquele ano, a estimativa era de que os Estados Unidos abrigava cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais. Cerca de 400 mil participaram dos protestos em Chicago, 300 mil em Los Angeles e 75 mil em Denver.