ENTRETENIMENTO

Xangô, Oxóssi, Yemanjá e mais: Orixás vão virar heróis de história em quadrinhos

'Contos de Òrun Àiyé' será lançado em junho.

15/02/2017 19:49 BRST | Atualizado 16/02/2017 12:42 BRST
Divulgação/Hugo Canuto

Obá, Oxumaré, Iansã, Xangô, Oxóssi, Yemanjá, Oxum e Ossaím.

Estes são os nomes de alguns orixás, divindades criadas pelo deus supremo Olorum. Integrantes da religião iorubá - que tem origem africana e, no Brasil, é popular principalmente na Bahia -, eles vão assumir cores e feitos de super-heróis em breve.

Isso porque o ilustrador baiano Hugo Canuto vai lançar, por meio de um financiamento coletivo, a HQ Contos de Òrun Àiyé. Criado em novembro, crowdfunding bateu sua meta de R$ 12 mil nas primeiras semanas e foi encerrado com o apoio de 816 pessoas e R$ 40 mil de arrecadação.

Apaixonado por cultura brasileira e histórias em quadrinhos, Canuto ganhou popularidade no ano passado após uma homenagem sua à Jack Kirby, fundador da Marvel, viralizar na internet.

Reprodução/Divulgação/Hugo Canuto
Capa de edição clássica de 'Os Vingadores' (1963) e a criação de Canuto, 'The Orixás'.

Tratava-se de uma recriação de uma capa clássica de Os Vingadores, que trazia Ogum no lugar do capitão América e Oxaguiã na mesma pose do Homem de Ferro.

O sucesso de likes e compartilhamentos da homenagem, batizada de The Orixás, impulsionou o ilustrador a criar capas fictícias para cada orixá e, na sequência, desenvolver um projeto com maior profundidade.

Canuto contou ao UOL alguns detalhes do enredo de Contos de Òrun Àiyé":

"A história que eu estou construindo se situa no tempo lendário, no passado mítico, em que céu [Òrun] e terra [Àiye] é um só. Não tem como ser maniqueísta. Eles são muitos complexos, não se reduzem a bom e ruim."

E revelou que a intenção do projeto é também minimizar a visão preconceituosa que muitas pessoas têm a respeito de religiões afro-brasileiras.

"Quero trazer esse universo para uma mídia que ainda é muito eurocêntrica, muito ligada a temas norte-americanos. Trazer algo que é tão vítima de preconceito, que é combatida por movimentos reacionários, para uma linguagem diferente e fazer com que as pessoas olhem de outra maneira. Fiz uma ponte entre duas realidades."

O preconceito pode ser um empecilho para a HQ caia nas graças do grande público. Para Canuto, isso não parece ser uma preocupação. Ao jornal O Globo ele disse:

Sei que algumas pessoas demonizam e atacam a cultura afro-brasileira. Mas, como artista, não posso deixar de realizar esse trabalho por conta de visões exclusivas da realidade.

O lançamento de Contos de Òrun Àiyé está previsto para junho. Para acompanhar as novidades da HQ, basta acompanhar a página oficial no Facebook.

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