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'Policiais estão se sentindo oprimidos', diz deputado Alberto Fraga

Vice-governador do Espírito Santo pede que senadores não aprovem anistia a PMs

15/02/2017 21:34 BRST | Atualizado 15/02/2017 21:46 BRST
Agência Brasil

Em reunião de governadores com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), nesta quarta-feira (15), o vice-governador do Espírito Santo, César Colnago (PSDB), fez um apelo para que os parlamentares não aprovem uma anistia aos policiais militares.

Durante o encontro na presidência do Senado, ele descreveu o caos vivido pelo estado nos últimos dias e contou que a população estava vivendo em "cárcere privado", segundo relato de presentes.

O deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) apresentou na última segunda-feira (13) um projeto de lei que propõe anistia a possíveis punições aos policiais militares do Espírito Santo.

A Constituição veda o direito a paralisações para a categoria, mas o Congresso já aprovou anteriormente anistia para policiais militares e bombeiros grevistas.

Na avaliação do parlamentar integrante da bancada da bala, se a categoria chegou ao ponto de pedir para as esposas lutarem por seus direitos, tem de ser ouvida. "Policiais estão se sentindo oprimidos", afirmou ao HuffPost Brasil.

O projeto precisa passar pelas comissões da Câmara para, se aprovado, ir para o plenário. A instalação dos colegiados está atrasada devido a disputas pelas presidências das comissões entre os partidos. Os nomes só devem ser definidos na próxima semana.

O governo capixaba indiciou 155 policiais militares depois da paralisação. Ao todo, segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, são 703 policiais investigados.

Dois tenentes-coronéis, um major e um capitão vão responder a Inquéritos Policiais Militares. Os demais vão responder a Processos Administrativos ou serão submetidos ao Conselho Disciplinar da corporação. A Polícia Militar tem 30 dias para concluir as investigações, que podem terminar com a demissão dos policiais.

A greve de policiais militares no Espírito Santo levou a mais de 146 mortes, segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol).

Familiares de policiais bloquearam as saídas dos batalhões e o governo federal chegou a enviar tropas das Forças Armadas e da Força Nacional para reforçar a segurança na Grande Vitória. As esposas reivindicam melhores condições de trabalho e aumento salarial com reposição da inflação e 10% de ganho real.

No fim de semana, o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, afirmou que a base do governo não apoiaria a anistia.

Aqueles que porventura imaginam que terão qualquer tipo de iniciativa na linha de anistia do Congresso Nacional, de obter anistia para os amotinados, eu quero deixar claro que não terá a menor possibilidade de apoio da base política do presidente Michel Temer.Antonio Imbassahy, ministro da Secretaria de Governo

O presidente classificou a paralisação como uma "insurgência" contra a Constituição e disse que novas greves seriam tratadas da mesma maneira.

Em reunião com Imbassahy nesta quarta, governadores demonstrar preocupação que a crise de segurança no Espírito Santo e no Rio de Janeiro se espalhe para outros estados.

Crise de Segurança no Espírito Santo