NOTÍCIAS

Com Fies aprovado, Suzane integrará 1% de detentas que têm acesso a curso superior

Em 2014, apenas 0,46% dos presos possuíam ensino superior completo.

14/02/2017 14:56 -02 | Atualizado 14/02/2017 18:09 -02
Reproduçãp/Twitter

Suzane von Richthofen, condenada a 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, foi pré-selecionada na chamada do Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), divulgada na última segunda-feira (13) e poderá fazer parte de uma parcela ínfima da população carcerária que tem acesso ao ensino superior no Brasil.

A detenta se cadastrou para cursar administração na faculdade Dehoniana, em Taubaté, em regime presencial. De acordo com o G1, a mensalidade da instituição custa R$596. Se finalizar o processo até o dia 20 de fevereiro, Suzane poderá ter até 100% do curso financiado pelo governo.

Reprodução/FIES

Segundo o relatório do Sistema de Informações Penitenciárias (Infopen), do Ministério da Justiça, em 2014, apenas 13% da população prisional participava de alguma atividade educacional, formal ou não.

Tratando-se de um País em que mais de 75% da população carcerária é analfabeta - ou alfabetizada informalmente - prosseguir os estudos é tarefa díficil dentro das unidades prisionais.

Em 2014, quando a população prisional estava acima dos 620 mil, apenas 0,46% dos presos possuíam ensino superior completo. Outros 0,95% possuíam ensino superior incompleto e quase nulos 0,02% contemplavam o ensino acima do superior, de acordo com o relatório.

Quando se faz o recorte de gênero a situação também é alarmante. Em 2015, menos de 1% das presas tinham concluido o ensino superior.

No ano passado, 54.358 presos se inscreveram para a prova do o Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade, o ENEM PPL.

Para os estudantes regulares, o exame é a principal porta de acesso a programas como o FIES. É pré-requisitos para o inscrito do fundo de financiamento ter feito alguma edição do exame desde 2010, com pelo menos 450 pontos na média nas provas e nota acima de zero na redação. Também é necessário comprovar renda familiar de no máximo três salários mínimos per capita e garantir um fiador.

No caso da população carcerária, no entanto, o objetivo da prova ainda está alguns passos atrás. No ano passado, cerca de 78% dos inscritos buscavam apenas a certificação de conclusão do ensino médio.

Relembre o caso

Em 2002, Suzane foi condenada a 39 anos de prisão por matar os pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em setembro de 2002. Seu ex-namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Christian, também participaram do crime e foram condenados.

Não é a primeira vez que Suzane tenta continuar os estudos. Em 2016, ela pediu autorização da Justiça para cursar administração em outra faculdade, alegando que iria custear os estudos com a remuneração recebida do seu próprio trabalho na prisão.