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Papa Francisco classifica como 'necessário e corajoso' novo livro sobre pedofilia na Igreja

'Como um padre causa tanto mal?', questionou o Papa

13/02/2017 11:00 -02 | Atualizado 13/02/2017 11:17 -02
Tony Gentile / Reuters
Papa Francisco classifica obra sobre pedofilia como "corajosa".

"Como pode um padre, a serviço de Deus e da Igreja, causar tanto mal?", é com este questionamento que o Papa Francisco assina o prefácio de um livro sobre abusos sexuais.

A obra, escrita pelo suíço Daniel Pittet, que já fora vítima de abusos, foi antecipada pelo jornal "La Repubblica" e divulgada nesta segunda-feira (13).

No prefácio, o argentino Jorge Mario Bergoglio pede perdão pelos crimes cometidos por sacerdotes e classifica-os de "uma monstruosidade absoluta, um pecado horroroso".

"Conheci Daniel no Vaticano, em 2015. Ele queria divulgar o livro Amar é dar tudo, que recolhia testemunhos de religiosos e religiosas. Eu não podia imaginar que este homem entusiasta e apaixonado por Cristo já tivesse sido vítima de abusos sexuais por um padre. Tudo que ele me contou e seu sofrimento me comoveram", confessou o Papa. No prefácio do livro, Francisco também disse que a nova obra de Pittet sobre pedofilia na Igreja é "necessária, preciosa e corajosa".

"Vi mais uma vez os danos assustadores causados por abusos sexuais e o caminho doloroso que as vítimas percorrem. Estou feliz que algumas pessoas poderão ler esse testemunho e descobrir como o mal pode entrar no coração de um servo da Igreja. Como um padre, a serviço de Cristo e da sua Igreja, pode causar tanto mal? Como pode ter consagrado sua vida para conduzir as crianças a Deus, mas, em vez disso, devorá-los no que é chamado 'sacrifício diabólico', que destroi tanto a vítima quanto a Igreja?Algumas vítimas se suicidam. Estas mortes pesam no meu coração, na minha consciência e em toda a Igreja", disse.

"Aos familiares das vítimas, entrego meus sentimentos de amor e dor e, humildemente, peço perdão", afirmou Francisco.

O Vaticano há anos recebe milhares de denúncias de crimes de pedofilia em todo o mundo e frequentemente é criticado pela maneira com que gerencia os processos - apenas parte deles chega a algum tipo de punição contra os sacerdotes.

Na maioria dos casos, a Santa Sé transfere o sacerdote de diocese e coloca o processo em sigilo. Na semana passada, um estudo inédito conduzido por uma comissão na Austrália apontou que 7% dos padres do país já foram acusados de pedofilia desde 1950.

Em meados de janeiro, o jornalista italiano Emiliano Fittipaldi, autor de outros livros sobre a Santa Sé, publicou Luxúria, obra que reúne dados sobre pedofilia na Igreja Católica. Segundo ele, o Vaticano recebeu 1,2 mil denúncias de crimes sexuais nos últimos três anos, o dobro se comparado com o período entre 2005 e 2009.

(Leia mais em Agência ANSA)