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Protestos no Rio de Janeiro: As táticas das mulheres dos PMs para parar o policiamento

Elas furam os pneus de viaturas e revistam os policiais em batalhões.

13/02/2017 19:07 -02 | Atualizado 13/02/2017 20:23 -02
Reprodução/Whatsapp
Mulheres cercam PMs para impedir que eles saiam para o trabalho.

Rio de Janeiro - A Polícia Militar do Rio de Janeiro lança mão de estratégias, como uso de helicópteros para fazer troca de turnos, a fim de driblar protesto de mulheres na porta de batalhões. A mobilização, que nesta segunda-feira (13) está em seu 4º dia, tem bloqueios em quartéis.

As mulheres exigem o pagamento do 13º salário dos maridos, do chamado RAS das Olimpíadas — hora-extra para reforço da segurança — e melhores condições de trabalho.

O Palácio do Planalto informou hoje que o presidente Michel Temer autorizou o envio de militares das Forças Armadas ao Rio para reforçar a segurança. A expectativa do governo federal é de que as tropas sejam enviadas ainda nesta semana.

O anúncio ocorre às vésperas da votação da privatização da Cedae (companhia de saneamento) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e em um momento em que as manifestações das mulheres de PMs prejudicam a circulação nos batalhões.

Na capital, o fim de semana teve blocos de Carnaval com milhares de foliões, mas atos de violência também foram registrados, como o assassinato de um torcedor do Botafogo em confusão na porta do estádio do Engenhão.

A Divisão de Homicídios investiga a morte de Diego Silva dos Santos, de 28 anos, que foi baleado no domingo (12).

A PM informou que as ruas de acesso ao estádio foram patrulhadas, mas admitiu que uma parte do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios teve dificuldade para sair do quartel, sendo necessário o remanejamento de policiais de outras unidades para cobrirem o jogo.

"Não há como negar que houve um prejuízo no planejamento por conta do protesto dos familiares", disse a corporação por meio de nota nesta segunda-feira.

Torcedores reclamaram de falta de policiamento na região do Engenhão. "Isso aqui está uma praça de guerra, com pouca polícia, já saiu tiro, bala perdida, bala de borracha", desabafou o ator Sandro Rocha do filme Tropa de Elite, em vídeo que circulou em redes sociais no domingo.

Embora o movimento de mulheres no Rio não repita a crise na segurança pública do Espírito Santo — desencadeada por mulheres de PMs —, os bloqueios têm provocado atritos e obrigado os policiais a fazerem trocas de turnos nas ruas.

"A Polícia Militar está utilizando de todos os meios disponíveis para colocar o policiamento nas ruas em locais onde há impasse com os manifestantes", informou a corporação. Segundo a PM, há batalhões que contam com reforço de outras unidades.

Entretanto, manifestantes denunciam que há policiais recebendo ordens de comandantes para que façam as trocas de turno sem aparatos de proteção.

Um PM denuncia em vídeo no WhatsApp que, nesta segunda-feira, colegas se recusaram a fazer a troca de turno na comunidade do Turano (zona norte) e, como resistiram, chegaram a ser acusados de insubordinação. A reportagem do Huffington Post Brasil procurou a PM que, até a tarde de hoje, não havia se manifestado sobre o caso.

Helicópteros foram usados, no fim de semana, para auxiliar na troca de turnos de tropas especiais, como o Bope (Batalhão de Operações Especiais), Choque e BAC (Batalhão de Ações com Cães). No Batalhão de Olaria (zona norte), aeronaves fizeram viagens para garantir o patrulhamento das UPPs da Penha e da Vila Cruzeiro.

Mas, para assumir o serviço, há PMs que lançam mão de formas mais rústicas, como pular muros de batalhões, conforme flagrou uma manifestante em vídeo. Nesta segunda, PMs deixaram a pé o batalhão do Leblon (zona sul) em direção à Rocinha.

De mãos dadas, as mulheres cercam viaturas e impedem a saída de policiais fardados dos batalhões. Elas também estão esvaziando pneus de viaturas, e um grupo fez plantão em um posto de gasolina para que carros policiais não fossem abastecidos.

Para impedir a troca de turno fora dos batalhões, as manifestantes revistam PMs que deixam as unidades a fim de saber se estão levando armas e fardas de outros colegas.

Mesmo em bloqueios feitos por pequenos grupos, PMs dizem evitar medidas agressivas porque isso poderia levar à adesão dos maridos ao movimento. No entanto, durante o fim de semana, houve relatos de agressão.

Uma mulher denuncia ter sido agredida na porta do 15º BPM (Duque de Caxias). A reportagem procurou a Polícia Civil que confirmou, sem dar detalhes, que a 34ª Delegacia de Polícia (Bangu) investiga o caso.

Em outro caso, um coronel da PM foi agredido por familiares de PMs na frente do batalhão de Mesquita, Baixada Fluminense. Um procedimento foi instaurado na 53ª DP (Mesquita) para apurar os fatos.

O Comando da PM se reuniu com manifestantes no fim de semana, que registrou protestos em 29 batalhões, mas nenhum acordo foi feito para por fim às manifestações.

Reprodução/WhatsApp
Mulheres de PMs protestam em batalhões no Rio.