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Ministro faz apelo aos 'bons policiais' do ES: 'Honrem suas fardas'

Mulheres ignoram acordo pelo fim a greve e número de mortos chega a 137 no Espírito Santo.

11/02/2017 16:08 -02 | Atualizado 11/02/2017 16:22 -02
Tânia Rego/Agência Brasil

A expectativa do governo do Espírito Santo era um de sábado que marcasse o fim da crise na segurança pública do estado. A realidade, entretanto, foi bem diferente.

Os policiais militares deveriam retornar às ruas às 7h da manhã deste sábado (11), o que não aconteceu.

As mulheres dos policiais ignoraram o acordo para o fim da greve da Polícia Militar e seguem acampadas em frente aos batalhões em Vitória. A violência continua e o número de mortes chegou a 137.

Com tom de desabafo, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, fez um chamado:

Fazemos um apelo aos bons policiais, praças, oficiais e comandantes, que honrem suas fardas, seu juramento, e venham para as ruas para defender o povo.

O ministro reconhece que "as reivindicações são justas, mas o limite da legitimidade e da justiça da reivindicação é a vida, a proteção da sociedade". "Não se pode aceitar nenhuma reivindicação que coloque em risco a sociedade. Isso é inaceitável e não será aceito", emendou.

De acordo com o G1, há a desconfiança de que policiais da ativa ou da reserva estejam participando de assassinatos e outros crimes no estado para agravar a crise na segurança.

"Isso não está descartado. E há um grupo investigando exatamente esses crimes que aconteceram nos últimos dias. E, se houver a participação de policiais, eles deixam de (ser) policiais e passam à categoria de bandidos. Serão tratados como tais", afirmou André Garcia, secretário de Estado de Segurança Pública, segundo o G1.

O patrulhamento da Grande Vitória está sendo feito por 3.130 homens das Forças Armadas e da Força Nacional. O número de agentes é maior que o usual na região.

Acordo

Ao anunciar o acordo do fim da greve na sexta-feira (10), o secretário estadual de Direitos Humanos, Júlio Cesar Pompeu, pediu bom senso aos policiais.

"Conversamos com os nossos soldados e pedimos bom senso e que retomem as atividades. São mais de 100 mortes. (...) Estou esperançoso de que não serão necessárias medidas para garantir o império da lei."

No acordo que naufragou, o governo não concedeu reajuste salarial. Na proposta apresentada pelas mulheres, elas pediam 20% de reajuste imediato e 23% de reajuste escalonado.

Na noite de ontem, na página do Facebook do Movimento das Famílias PMES já havia um anúncio de que o acordo não teria efeito.

Crise de Segurança no Espírito Santo