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'A gente precisa aprender a sentir a dor alheia', diz 'branca de turbante'

Jovem faz apelo por empatia e questiona apropriação cultural.

11/02/2017 09:54 -02 | Atualizado 11/02/2017 11:52 -02
Montagem/Facebook
"'Não pode falar de uma dor se não a sentir', sinceramente?"

Impressionada com a repercussão do desabafo publicado no Facebook, no qual retruca advertência de ativista negra pelo uso do turbante, Thauane Cordeiro questiona o conceito de lugar de fala e faz apelo por empatia. Para ela, as pessoas precisam aprender a amar mais.

"A gente precisa aprender a se amar mais, precisa aprender a sentir a dor alheia! A ter empatia pelas pessoas. Porque se o mundo continuar assim, sinceramente, não sei onde vamos parar!"

Diagnosticada com leucemia mielóide aguda, a jovem, que ficou careca e passou a usar o turbante, coloca em xeque a expressão de que apenas quem sente a dor pode falar por ela.

"Não pode falar de uma dor se não a sentir'', sinceramente? Isso é muito sem nexo, porque como já disse, não quero banalizar movimento nenhum. Muito pelo contrário, há muitas coisas que precisam ser ajustadas na sociedade, muita coisa que precisa ser mudada. Mas tantas coisas importantes para se debater, vem pessoas implicar com um pano na cabeça de fulana? Vamos ter aulas de história, aulas de sociologia e filosofia! E principalmente, ter aulas de respeitar o coleguinha.

No texto, ela também pede desculpas as pessoas que se sentiram ofendidas pelo termo "negra branca", usado em seu primeiro desabafo. Segundo ela, foi sarcasmo.

Aqui está o desabafo completo:

Apropriação cultural

A jovem disse ainda que seu depoimento gerou um grande debate entre militantes. Nos comentários da publicação há críticas e elogios ao posicionamento dela.

O principal questionamento é sobre apropriação cultural.

Apropriação cultural, segundo o militante Leopoldo Duarte, na Revista Fórum, é o "uso indevido de elementos de outras culturas por pessoas brancas".