ENTRETENIMENTO

O dia em que Amor & Sexo discutiu masculinidade e exibiu um nu frontal masculino em rede nacional

Depois de colocar o violência contra a mulher e feminismo em pauta na Rede Globo...

10/02/2017 17:20 -02 | Atualizado 10/02/2017 18:11 -02

Depois de colocar o feminismo em pauta na Rede Globo, a edição desta quinta-feira (9), do programa Amor & Sexo, da Rede Globo, ousou mais uma vez ao expor e falar sobre masculinidade.

Logo na abertura do programa, Fernanda Lima disse:

"Homem que é homem não tem medo, tem raiva. Homem que é homem não fala o que sente, se cala. Não perde, nem pede desculpa. Homem que é homem não faz amor, dá madeirada. Homem que é homem engole o choro. Homem que é homem não elabora, age e até mata. Precisamos falar sobre isso"

Para debater o tema e construir o enredo do programa junto com ela, foram convidados o artista Matheus VK, o cantor Ney Matogrosso, o ator Juliano Casarré.

Isabella Pinheiro/Divulgação
José Loreto chora ao lado de seu pai ao dizer que tem dificuldade de dizer "eu te amo" para familiares

Em um determinado momento do programa foi proposto que os convidados e a plateia abraçassem desconhecidos "para homenagear pais e filhos, homens e mulheres, homens e homens, mulheres e mulheres, humanos e humanos, que lutam e desejam um mundo com mais ternura e mais afeto".

No meio de tantos abraços, dois tiveram destaque.

José Loreto e Eduardo Sterblitch, com os olhos vendados, foram abraçados por seus respectivos pais. Ao tirar a venda, Sterblitch brincou com a surpresa, enquanto José Loreto foi às lágrimas e disse:

"Eu já escrevi pro meu pai, pra minha mãe, pras minhas irmãs, eu te amo, mas eu não consigo dizer para eles, porque eu sou bloqueado emocionalmente por causa da minha criação. Então, eu vou falar pra todo mundo: Pai, eu te amo, você é o meu maior exemplo".

E algumas pessoas comemoraram demais a atitude nas redes sociais:

E outras que se emocionaram tanto, que não conseguiram superar:

E quem reforçou:

Mas sempre importante lembrar:

Porque discutir masculinidade é mais importante do que criticar o feminismo:

Teve quem fez pedido importante:

E quem elogiou muito mesmo o tema do programa:

Mas a cena final foi a grande responsável por emocionar o público, a plateia e os convidados: um bailarino foi inteiramente despido ao som de Um Homem Também Chora, de Gonzaguinha, e o programa exibiu um nu frontal masculino.

Assista o momento:

Você pode assistir o problema completo clicando aqui.

Reestreia e novos temas

"Hoje é o seguinte: vamos esclarecer conceitos, limpar rótulos, e gritar que a luta pela igualdade de direitos, desde a queima dos sutiãs, segue firme e forte."

A reestreia do programa Amor & Sexo, na Rede Globo, começou com esta fala da apresentadora Fernanda Lima, no dia 26 de janeiro. Ela, que também é responsável pelo roteiro do programa, conseguiu colocar em pauta na maior emissora do País feminismo e violência contra a mulher.

Karol Conka, Elza Soares, Gaby Amarantos, Djamila Ribeiro, Antonia Pellegrino e Monique Prada, direcionaram o debate junto com Fernanda Lima. E, do elenco fixo, Otaviano Costa, Mariana Santos, José Loreto, Dudu Bertholini, Eduardo Sterblitch.

Direitos das mulheres, igualdade de gênero, homofobia, transfobia e machismo foram trabalhados no programa de forma didática e gerou grande repercussão tanto positiva, quanto negativa nas redes sociais.

Ao longo das dez temporadas, o programa tem tentado abordar temas e discussões que desconstroem conceitos sobre sexo e comportamento.

Segundo o colunista de televisão do UOL, Nilson Xavier,

"o programa propõe a desconstrução do preconceito, do machismo, da homofobia, do racismo, da misoginia e de tantos outros temas urgentes. Mas ele mesmo, como atração televisiva, é um bom exercício de desconstrução. Sem perder seu foco, mistura humor, dança, música, games e entrevista com toda a seriedade que os assuntos tratados demandam".

A edição seguinte do programa escolheu falar sobre sexo, erotismo e fantasias sexuais entre homens e mulheres e levou o ator e modelo Paulo Zulu, que recentemente teve sua intimidade exposta nas redes sociais de forma inusitada, para falar sobre o assunto.

Para a jornalista e crítica de televisão Cristina Padiglioni, o programa representa uma espécie de abertura em um Brasil extremamente conservador.

Ela escreveu em seu site:

"o programa foi obra para servir de referência á liberdade que a TV aberta pode alcançar quando embute informação no entretenimento. Porque não falamos de sexo com as crianças, se esse é um assunto tão determinante no humor da maioria das pessoas? Por que nos incomodamos tanto com o quintal do vizinho, em vez de mirar no próprio jardim, nos seus interesses e prazeres?"

5 mulheres que enfrentaram o machismos nos esportes