LGBT

'Ninguém importante virou as costas', diz jovem que revelou ter HIV

Geovanni Henrique contou sobre a discriminação que sofre no meio gay por ser portador do vírus.

09/02/2017 10:41 -02 | Atualizado 09/02/2017 10:56 -02
Reprodução/Facebook
Após ser rotulado, Geovanni Henrique revelou ao mundo que é soropositivo

Depois de ser discriminado diversas vezes por ser soropositivo, o recepcionista Geovanni Henrique decidiu sair do 2º armário no fim do mês passado.

Pelo Facebook, revelou que é HIV positivo e que não queria mais viver preso, como se sua sorologia fosse um crime.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, o jovem goiano avaliou como positiva a repercussão de ter exposto as dificuldades de ser portador do vírus.

Tenho recebido muito apoio, tanto no social e no profissional. A primeiro instante, ninguém de importante virou as costas. Estou recebendo milhares de mensagens de todo canto do País. Pessoas que me parabenizavam e também dos que dizem não se importar com a minha sorologia.Geovanni Henrique, ao HuffPost Brasil

Geovanni descobriu ser soropositivo aos 21 anos, após uma relação sexual desprotegida.

Desde então, segue à risca o tratamento e mantém a saúde em dia. Ele faz consultas no SUS (Sistema Único de Saúde), para o qual é só elogios nesse tipo de atendimento.

"Desde quando descobri o HIV, tenho tentado me cuidar ao máximo, sempre fazendo o uso do coquetel e acompanhamento de seis em seis meses. A rede pública está muito preparada para auxiliar", descreve.

A família foi seu porto seguro tanto quando contou sobre sua orientação sexual quanto sobre sua sorologia.

"A minha família foi a primeira a saber [do HIV]. Eu morava só em Goiânia e precisava do apoio de alguém. E minha família foi sempre muito querida em relação quando me assumi gay", conta.

O maior preconceito ele sentiu entre rapazes com quem se relacionava, inclusive amigos. "Antes de saber da minha sorologia, eu já tinha muitos amigos gays, e sempre havia boatos quando desconfiavam de alguém." Ele chegou a ser equivocadamente rotulado de "aidético".

Hoje, aos 24 anos, Geovanni faz tudo que qualquer jovem de sua idade poderia fazer: trabalha, sai com os amigos, se reúne com os familiares.

Vai aproveitar o Carnaval para relaxar das atividades do hotel onde cumpre expediente.

"No Carnaval ficarei aqui em Caxias mesmo, aproveitando a folga. Sem maiores festas", conclui.

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