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'Vergonha': Governador do ES critica movimento dos PMs

Paulo Hartung classificou como "chantagem" a paralisação dos políciais.

08/02/2017 12:43 -02 | Atualizado 08/02/2017 13:18 -02
Paulo Whitaker / Reuters
Moradores de Cahoeiro de Itapemirim protestam contra paralisação dos PMs.

O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, criticou em entrevista coletiva nesta quarta-feira (8) a paralisação dos policiais militares, seguida por uma onda de violência no estado.

"O método adotado por algumas lideranças é um método que dá vergonha. É o método da chantagem.[...] Esse movimento tem envergonhado o Espírito Santo. Todas essas ocorrências, todas essas mortes, está na conta deles."

O político retornou ao estado na última terça-feira (7), após ser liberado do hospital em São Paulo onde passou por uma cirurgia para retirada de um tumor. Durante a entrevista estavam presentes o governador em exercício, César Colnago, e o secretário de Segurança e Defesa Social, André Garcia.

Hartung reforçou que o estado cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal e que é preciso "encarar de frente" a situação.

"O caminho [dos PMs] é um caminho errado, que rasga a Constituição do nosso País. É chantagem. O que está acontecendo é chantagem. Se o Espírito Santo não enfrentar a situação de frente, daqui a pouco esse movimento será em todo o País. É a mesma coisa que sequestrar a liberdade, o direito do cidadão capixaba, e cobrar resgate. Nem por aspecto ético se paga resgate, e nem a Lei de Responsabilidade Fiscal permite isso."

César Colnago disse que o reajuste salarial, principal demanda dos policiais, não pode ser decidido neste momento. Ele alegou que houve um reajuste em 2014, e não apenas há sete anos, como argumenta a categoria.

"Diante do desequilíbrio das contas de outros estados brasileiros, nós aqui conseguimos manter tudo em ordem. Mas estamos no limite. Todos os servidores estão sem qualquer tipo de ajuste. Aqui, a prioridade, além da segurança das famílias, é garantir o pagamento do salário dos servidores."

O movimento de familiares dos PMs acontece desde o último sábado (4) e impede que os policiais deixem os quartéis. Esta foi a estratégia utilizada pelos servidores já que, legalmente, a Polícia Militar é impedida de fazer greve.

A falta de policiamento no Espírito Santo gerou uma onda de violência na Grande Vitória e no interior. Já foram contabilizados mais de 80 homícidios, de acordo com o Sindicato de Policiais Civis do estado, além de assaltos, arrombamentos e depredações. O governo ainda não divulgou números oficiais.

Crise de Segurança no Espírito Santo