POLÍTICA

PMDB está perto da derrota no jogo com Temer por Ministério da Justiça

“Há uma constatação que a bancada do PMDB está subrepresentada”, afirma Edison Lobão.

07/02/2017 19:13 -02 | Atualizado 08/02/2017 03:30 -02
Adriano Machado / Reuters
Presidente Michel Temer

Com o aumento do espaço do PSDB no governo de Michel Temer, especialmente após a nomeação de Antonio Imabassahy para a Secretaria de Governo, o PMDB pressiona cada vez mais por cargos de destaque.

A bancada do partido na Câmara quer a liderança do governo, hoje com André Moura (PSC-SE), nome do Centrão e ligado ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) já demonstrou insatisfação com Moura.

O cargo estava prometido para o líder do PP, Aguinaldo Ribeiro (PB), mas na avaliação de um peemedebista próximo a Temer, o Centrão perdeu a força para fazer esse tipo de cobrança. O candidato do grupo à presidência da Casa, Jovair Arantes (PTB-GO) conquistou apenas 105, ficando em segundo lugar.

Desde o governo da presidente Dilma Rousseff, o PMDB briga por mais espaço no que era chamado conselho político, ou seja, o núcleo de ministros e parlamentares que define a agenda do Legislativo.

Cotado para presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Edison Lobão (MA) faz coro às reclamações do partido. "Há uma constatação que a bancada do PMDB está subrepresentada", afirmou ao HuffPost Brasil.

Ministério da Justiça

A tendência, contudo, é que para o Ministério da Justiça, Temer não indique um nome de peso do partido, como o do deputado Osmar Serraglio (PR), presidente da CCJ da Câmara em 2016.

Para um interlocutor do presidente, indicações como a do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), réu na Lava Jato, seriam um tiro no pé devido ao desgaste com a opinião pública.

A nomeação só deve ser feita daqui a duas semanas. Há ainda a possibilidade de o presidente esperar que o nome de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal (STF) seja aprovado pelo Senado primeiro.

A indicação de Moraes precisa passar pela CCJ da Casa e pelo plenário, onde são necessários 41 votos para o ex-ministro da Justiça ser aprovado para a Supremo Corte. Os integrantes do colegiado, contudo, ainda não foram definidos.

Um dos nomes que se fortalece para o primeiro escalão da Esplanada é o de Nelson Jobim, titular da Justiça no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1997. Ao jornal O Globo, contudo, ele disse que não aceitaria o convite. "Estou muito bem como advogado em São Paulo", afirmou.

Em 2016, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) também esteve entre os cotados para integrar o governo Temer. Na avaliação de um senador peemedebista, ele seria uma boa opção pro ter trânsito com integrantes dos Três Poderes.

Um dos nomes do PSDB, senador Antonio Anastasia (MG), próximo do presidente da legenda, senador Aécio Neves (MG), já descartou fazer parte do Executivo. Uma das prioridades dele como senador neste ano é ser relator da reforma do Código Penal.

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