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Exército chega ao Espírito Santo, mas escolas e comércio continuam fechados

Após onda de roubos e violência na segunda, população tem medo de sair de casa

07/02/2017 08:46 -02 | Atualizado 07/02/2017 09:30 -02
Paulo Whitaker / Reuters
Private security guard a store in downtown Vitoria, Espirito Santo, Brazil, February 7, 2016. REUTERS/Paulo Whitaker

Mesmo com socorro das tropas das Forças Armadas, a capital do Espírito Santo, Vitória, continua com portas fechadas e ruas vazias. Escolas, postos de saúde, bancos e grande parte do comércio local amanheceram fechados nesta terça-feira (7), com medo de mais ataques como ocorrem ontem por toda a cidade.

Desde sábado, familiares de policiais militares protestam por reajuste salarial e impedem a saída de PMs de quartéis em várias cidades do Espírito Santo. Sem a PM na rua, o estado registrou roubos, saques e violência, sobretudo em Vitória. Nesta terça-feira, a greve vai continuar, de acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo.

Com barracas e ajuda de vizinhos e simpatizantes para conseguir alimentos, o movimento passou a noite no comando-geral de Vitória. "Como eles [policiais militares] não podem fazer greve, nós organizamos o movimento", disse uma das mulheres à Folha.

Além de Vitória, outros municípios próximos também amanheceram de portas fechadas. Em sete cidades da região metropolitana da capital capixaba, por exemplo, não vão circular ônibus, segundo o G1. Entidades empresarias como Fecomércio e CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) recomendaram que empresários não abram suas lojas.

Shoppings e supermercados informaram que devem abrir e, caso a insegurança permaneça, deverão fechar novamente. Agências bancárias continuarão fechadas até que a situação se normalize.

Tropas da Força Nacional

De acordo com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, as tropas federais permanecerão "o tempo necessário" no Espírito Santo.

"Nosso compromisso é de seremos inflexíveis e determinados em restaurar a normalidade, a ordem, a paz e a tranquilidade em Vitória e onde for necessário. O presidente [Michel] Temer determinou a nossa presença aqui e que permanecêssemos o tempo necessário para que a ordem fosse recuperada", disse o ministro.

Na tarde de ontem, mais de 2 mil homens da Força Nacional foram enviados ao estado para ajudar nos serviços de policiamento.

Polícia Civil também pode entrar em greve

Uma assembleia marcada para a próxima quinta-feira (9) pode resultar em mais uma greve no ES. Ao jornal O Estado de S. Paulo, o vice-presidente do Sindipol (Sindicato dos Policiais Civis), Humberto Mileip, afirmou que os policiais civis também poderão aderir à greve no estado.

A possível paralisação também se deve ao baixo salário. "Nosso salário é um dos mais baixos do Brasil. Nos últimos anos, não houve recomposição por causa da inflação", disse Mileip.

A falta de policiais militares nas ruas do ES vem provocando uma onda de violência. Desde sábado, foram registradas 65 mortes, diversos arrastões e assaltos a lojas e dois ônibus foram incendiados.

À Folha de Vitória, o secretário de Segurança Pública, André Garcia, garantiu que a sensação de segurança será retomada no Espírito Santo ainda nesta terça-feira.