MULHERES

Esta campanha quer combater assédio no Carnaval com união entre as mulheres

#UmaMinaAjudaAOutra.

07/02/2017 17:06 -02 | Atualizado 07/02/2017 17:39 -02
Bloomberg via Getty Images
Instrumentistas do Bloco das Mulheres Rodadas no Rio de Janeiro em 2016.

O coletivo AzMina acaba de lançar uma campanha de combate ao assédio e proteção às mulheres neste Carnaval. Batizado de #UmaMinaAjudaAOutra, o movimento incentiva a sororidade (ou irmandade) entre as mulheres durante as festas de fevereiro.

Pesquisa divulgada pela organização internacional de combate à pobreza ActionAid, em 2016, mostra que 86% das mulheres brasileiras ouvidas sofreram assédio em público em suas cidades.

Sabe-se que no Brasil, onde predomina uma cultura machista que culpabiliza a vítima, esse problema ganha novas proporções durante o carnaval.

Por isso, depois de lançar a campanha #CarnavalSemAssédio (também em 2016) com foco na "educação" de homens sobre a problemática do assédio, neste ano o coletivo concentra energia exclusivamente nas minas.

O manifesto do coletivo explica:

É sobre se meter numa briga para defender outra mulher. É sobre não concordar e lutar contra qualquer tipo de assédio, abuso ou tentativas. É sobre oferecer companhia. É sobre prestar ajuda, do jeito que for e pra quem for, principalmente quando se trata de outras mulheres.

A fim de facilitar ainda mais a adesão de mulheres de todo o Brasil ao movimento, o coletivo também publicou depoimentos de pessoas que foram impactadas de forma positiva por um gesto de sororidade – tanto no carnaval quanto em outras festividades.

Veja abaixo alguns deles:

Amigas me salvaram de caras que tentavam me beijar à força

"No Carnaval do ano passado, eu fui com uma amiga a um bloco de rua em São Paulo, durante a tarde. Lá encontramos mais outras meninas e começamos a beber. Depois de algum tempo, comecei a passar muito mal, de não conseguir parar em pé. Óbvio que chegaram babacas e tentaram me agarrar, me beijar a força.

Nisso, minhas amigas conseguiram me puxar, batendo neles, xingando, empurrando. Elas me levaram para um centro comercial e cuidaram de mim até eu conseguir voltar pra casa minimamente. Depois desse episódio eu passei a beber bem menos e a ficar muito mais ligada em festas e bares, infelizmente. Se eu tivesse sozinha nesse dia – ou até mesmo tivesse me perdido das minhas amigas – eu poderia ter sido estuprada. Dá muito medo pensar nessa possibilidade." – Tami Rodrigues, 21 anos

Ela tirou a blusa dela e me deu

"Uma vez, numa festa, uma amiga estava fazendo aniversário, bebeu muito e começou a passar mal. Eu tive a brilhante ideia de colocar ela deitada no meu ombro, quando ela vomitou, sujando toda a minha blusa! Eu fui pro banheiro arrasada, porque significava fim de noite pra todo mundo.

Comecei a lavar minha camiseta, desesperada, e estava frio demais. Eis que surge uma moça, tira a blusa dela – nunca vou esquecer -, uma blusinha cinza de gola alta com manga comprida, e me dá. Depois, ela fechou o casaco dela e foi embora. Foi a anja da minha noite!" – Letícia Maia, 24 anos

Eu meti a colher, sim

"Estávamos em um bloco em São Paulo e, no meio da folia, eu encontro uma conhecida do meu bairro discutindo com o namorado, uma briga feia. Ele ameaçava bater nela e, quando levantou a mão, eu entrei na frente dela. Quase apanhei, mas o empurrei de volta. Meus amigos seguraram ele e fiquei com a menina o dia todo. Ela chorava muito. O motivo da briga? Um cara deu em cima dela e ela não correspondeu, mas não do jeito que ele achava ideal, então foi brigar e querer bater nela. Vê se pode!" - Catarina Alves, 20 anos

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