NOTÍCIAS

'Sensação de abandono': Capixabas não têm a quem recorrer durante crise de segurança

Moradores do ES reclamam de invisibilidade e falta de diálogo do poder público. Onda de violências acontece desde sábado.

06/02/2017 15:21 -02 | Atualizado 08/02/2017 11:25 -02
Reprodução/Twitter

O medo é lugar comum nestes últimos dias para quem vive na Grande Vitória, no Espírito Santo.

No sábado (4), o que começou como protestos de familiares de Policiais Militares por aumento salarial e melhores condições de trabalho culminou com uma onda de violência que toma conta dos bairros e registra recorde de homícidios.

A greve foi considerada ilegítima pela Justiça, mas os policiais continuam de braços cruzados frente ao caos na cidade.

Durante o final de semana, o secretário de Segurança do estado, André Garcia, em entrevista a Folha Vitória, chegou a afirmar que não houve aumento nas ocorrências, mesmo com a notícia de violência circulando nas redes sociais dos moradores.

Nesta segunda (6), Garcia mudou de opinião e anunciou a troca de comando da Polícia Militar do Espírito Santo. Agora, quem assume o posto de chefia da PM no estado é o coronel Nylton Rodrigues, segundo informações da Gazeta Online.

"Temos que ser transparentes. Estamos passando por uma situação muito difícil por conta de uma situação que, supostamente foi iniciada por familiares de parentes. Estamos vivendo um aquartelamento branco da Polícia Militar", explicou, em coletiva de imprensa.

Serviços básicos como unidades de saúde, comércio, transporte público e bancos estão paralisados em Vitória. O início das aulas escolares também foi suspenso pela prefeitura e os orgãos públicos não estão funcionando.

Em entrevista ao HuffPost Brasil, a servidora pública Danyelle Silva compartilha que a sensação de abandono é o que a deixa mais preocupada.

"Nunca senti isso na vida, e não moro em bairro nobre da cidade. Mas igual como está nunca vi. Tenho medo de dormir à noite, acontecer alguma coisa e não ter quem chamar. A população é que está sofrendo nesse fogo cruzado. Terceiro dia de caos na cidade. É um absurdo."

Para Danuza Brice, professora capixaba, houve uma demora da mídia e do poder público em reconhecer a gravidade da situação.

"A imprensa capixaba chegou a publicar que não passava de um boato. Eles quiseram passar pano na situação. Acontece que os arrombamentos, saques e assaltos estão acontecendo. Eu estava saindo da Serra [município vizinho a Vitória] e passei no meio de um tiroteio. A situação é concreta e estão permitindo que ela aconteça. A população tá coagida, mas ainda assim estamos tentando chamar atenção para que algo seja feito."

No Twitter, a hashtag #ESPedeSocorro está entre os assuntos mais comentados do dia.

Caio Binda é advogado e argumenta que a manifestação das autoridades responsáveis não tem sido suficiente para gerenciar a crise no estado. Ele enumerou medidas que já estão sendo tomadas pelos governos local e federal:

"A cada minuto a situação se agrava, o número de mortes e de atentados tem crescido desenfreadamente. Medidas urgentes, como a ação imediata da Força Nacional, a retomada das negociações com os policiais ou até mesmo uma ação mais direcionada à Polícia Civil, devem ser tomadas para garantir a segurança do ES. Só assim a situação será amenizada."

O Ministério da Justiça já autorizou a ida de 200 homens das Forças Armadas para a capital, segundo informações de O Globo, que desembarcaram na cidade no fim da tarde desta segunda.

Crise de Segurança no Espírito Santo