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O medo no Espírito Santo: Assaltos, aulas suspensas e unidades de saúde fechadas

Greve da Polícia Militar foi considerada ilegal, mas familiares de PMs impedem saída de viaturas dos quartéis.

06/02/2017 11:40 -02 | Atualizado 06/02/2017 12:21 -02
Reprodução / Twitter
Ônibus incendiado no Espírito Santo em dia de greve da Polícia Militar

Mesmo considerada ilegal pela Justiça, a greve da Polícia Militar continua no Espírito Santo. Desde sábado, familiares de PMs protestam por melhores salários e impedem a saída de carros dos quartéis.

A Prefeitura de Vitória suspendeu o início do ano letivo na rede municipal na manhã desta segunda-feira (6). Unidades de saúde da capital não irão funcionar, com exceção dos pronto-atendimentos da Praia do Suá e São Pedro.

Com a falta de policiamento, um ônibus foi incendiado, uma guarita da PM foi queimada e há relatos de arrastões e assaltos a lojas. Os estabelecimentos têm fechado às 14h. As manifestações acontecem em toda a Região Metropolitana de Vitória, Guarapari, Linhares, Aracruz, Colatina e Piúma.

O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MP-ES) decidiu suspender o expediente. Os fóruns também estão parados como medida preventiva. Os prazos processuais e audiências nas Promotorias de Justiça foram suspensos nesta segunda.

Soluções

O governo do estado trocou o comando da PM e pediu o apoio do Exército. O presidente Michel Temer autorizou o envio de tropas nesta segunda, atendendo a pedido do governador em exercício César Colnago. O governador Paulo Hartung (PMDB) está de licença médica.

Estava marcada para esta segunda uma nova rodada de negociações às 13 horas, no Palácio Anchieta, mas as negociações com os policiais militares estão suspensas, enquanto os policiais não voltarem ao trabalho.

A premissa fundamental é colocar policiamento nas ruas. Usar todos os meios que sejam possíveis para o policiamento das ruas capixabas.Secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, André Garcia

Nesta segunda, a equipe do Núcleo de Mediação de Conflitos do Ministério Público vai se reunir com a Promotoria de Controle Externo da PM e a Auditoria Militar, e os representantes do movimento de familiares de policiais para tentar negociar o encerramento das paralisações.

Reivindicações

Como os policiais são proibidos pelo Código Penal Militar de fazer greve, os familiares protestam por reajuste salarial, pagamento de auxílio-alimentação, adicional noturno, por periculosidade e insalubridade. Também são denunciados o sucateamento da frota e falta de perspectiva de carreira.

Nossos policiais estão passando fome. Temos o pior salário do Brasil. Queremos sentar e traçar uma possibilidade de melhoria salarial.Major Rogério, do Batalhão de Missões Especiais do Espírito Santo

A Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo informou informou que espera que possa haver diálogo em breve para resolver a situação. A pena para o PM que participar em atos desse tipo pode chegar a dois anos de prisão.

O descumprimento da decisão judicial acarretará multa de R$ 100 mil por dia.

Segundo o secretário de Segurança, "foi determinado ao Comando da Polícia Militar a instauração de inquéritos policiais militares para apurar eventuais responsabilidades de indivíduos que estão incitando a tropa". O governo pediu ainda que Ministério Público receba os inquéritos policiais militares.

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