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'Médicos inescrupulosos', diz Dr. Roberto Kalil sobre caso de Marisa Letícia

O cardiologista exigiu punição dos responsáveis. Dois profissionais envolvidos já foram demitidos.

05/02/2017 16:48 -02 | Atualizado 05/02/2017 17:39 -02
Reprodução/Facebook
Roberto Kalil repudia vazamento de dados médicos de Marisa Letícia

O médico cardiologista Roberto Kalil Filho era o responsável pelos atendimentos da ex-primeira dama Marisa Letícia, morta na última sexta-feira (3), que estava internada no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 24 de janeiro.

Figura reconhecida por atender personas públicas, como Lula, Dilma, Roberto Carlos e Gilberto Gil, ele condenou o vazamento de dados clínicos confidenciais da ex-primeira dama e classificou como "afronta à dignidade humana" a atitude dos médicos Gabriela Munhoz, Richam Faissal Ellakkis e Pedro Paulo de Souza Filho.

Em artigo na Folha de S.Paulo, Kalil relembrou o juramento de Hipócrates que cita o "respeito absoluto ao ser humano" e defendeu que os profissionais envolvidos nos vazamentos fossem punidos.

No entanto, quando afrontam a ética, quebram o juramento de Hipócrates proclamado ao receberem o título de doutor e compartilham publicamente segredos e sentimentos a eles confiados, os médicos violam um dos princípios mais sagrados da profissão, o sigilo médico. [...] Atitudes como essa merecem punição. Impossível tolerar que pacientes corram o risco de virar motivo de escárnio entre médicos inescrupulosos.Roberto Kalil Filho

Momentos após a internação de Marisa Letícia no hospital paulistano, a médica reumatologista Gabriela Munhoz publicou em um grupo de WhatsApp que compartilhava com antigos colegas de faculdade, a confirmação do diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico da ex-primeira dama.

Ela ainda afirmou que a paciente estava prestes a ser levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Na última quarta-feira (2), o Hopital Sírio-Libanês confirmou que a médica havia sido demitida da equipe devido por ter compartilhado informações que estavam sob sigilo.

A mensagem publicada por Munhoz no grupo intitulado "MED IX", em referência aos formandos em Medicina de 2009 da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, viralizou.

De acordo com O Globo, no dia seguinte a internação de Marisa Letícia, o profissional Pedro Paulo de Souza Filho, apesar de atuar fora do hospital paulistano, enviou ao grupo imagens de supostas tomografias atribuídas a Dona Marisa.

No mesmo grupo, outra troca de mensagens chamou atenção. O médico neurocirurgião Richam Faissal Ellakkis fez comentários agressivos sobre o estado de saúde da ex-primeira dama e criticou o procedimento adotado pelos médicos responsáveis.

"Esses fdp vão embolizar ainda por cima. Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela", escreveu Ellakkis.

O neurocirurgião prestava serviços para a Unimed. Na última sexta (3), a direção responsável pelo serviço de saúde rompeu o contrato com o profissional, segundo informações da Folha.

Lakkis foi procurado pela Folha, mas não respondeu o contato. Já Gabriela Munhoz, ao O Globo, afirmou que preferia não comentar a situação.

Em nota ao O Globo, a direção do Sírio-Libanês afirmou ter "uma política rígida relacionada à privacidade de pacientes".

"Por não permitir esse tipo de atitude entre seus colaboradores, a instituição tomou as medidas disciplinares cabíveis em relação à médica, assim que teve conhecimento da troca de mensagens."

Em comunicado público divulgado na quinta-feira (2), o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) informou que havia instaurado nova sindicância para analisar o vazamento dos dados, já que uma primeira investigação estava correndo desde o dia 26 de janeiro, quando a imagem da tomografia foi publicada e atribuída a Dona Marisa.

Na nota, o Conselho repudiou a atitude dos profissionais: "Para o Cremesp, o compromisso e a ética ante a saúde de cada um dos cidadãos colocam-se, sem distinções de qualquer natureza, sempre acima de interesses que não sejam fiéis à dignidade inviolável da pessoa doente junto aos seus entes queridos. Por conseguinte, o Cremesp lamenta a divulgação de qualquer exame, dado privativo e ofensas feitas a doentes em redes sociais."