POLÍTICA

O novo Waldir Maranhão: Quem é Fabinho Liderança

O deputado que chama smarthphone de "trem do capeta".

03/02/2017 23:37 -02 | Atualizado 04/02/2017 03:22 -02
Reprodução / Facebook

Função que ganhou destaque em 2016 devido a um reviravolta no impeachment de Dilma Rousseff, a vice-presidência da Câmara dos Deputados será ocupada mais uma vez por um parlamentar curioso.

Segundo deputado com mais poder na Casa, Fábio Ramalho (PMDB-MG) está no terceiro mandato. Antes, entre 1997 a 2004, foi prefeito de Malacacheta, cidade mineira com cerca de 18 mil habitantes.

Na época, era filiado ao PTB. De lá para cá, o parlamentar já passou pelo PV e pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), antes de mudar para o PMDB, em 2016.

O Tribunal de Contas de Minas Gerais responsabilizou Fábio por irregularidades em procedimentos licitatórios cometidas durante sua gestão como prefeito.

Na campanha de 2014, o parlamentar arrecadou R$ 2,4 milhões. Envolvidas na Lava Jato, a UTC doou R$ 50 mil para sua campanha, e a Odebrecht, R$ 30 mil.

Fabinho Liderança, como é conhecido entre os colegas, é famoso pelas festas oferecidas em seu apartamento funcional em Brasília. No cardápio, leitoas na pururuca e outros pratos mineiros.

No jantar de comemoração da eleição do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) como presidente da Câmara, o peemedebista atribuiu a própria vitória à micropolítica dos jantares que oferece em sua casa às quartas-feiras.

Com dois micro-celulares nas mãos, usados só para ligações e sem internet, o parlamentar chamou smartphone de "trem do capeta" e disse que não sabe o que é e-mail. A assessoria digital é feita pela secretária.

Amigo do presidente

Fábio contou, também no jantar, que em 2009 Michel Temer só ganhou a eleição para Presidência da Câmara porque fez jantares para o então deputado.

O deputado foi um dos integrantes da comitiva para China, na primeira viagem de Temer após assumir o Palácio do Planalto. Nos últimos meses, trabalhou na articulação da ajuda financeira da União aos estados e municípios. Em Minas, é aliado do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Fábio foi eleito na última quarta-feira (2) ao derrotar em segundo turno seu colega de partido Osmar Serraglio (PR) por 265 votos a 204. A vitória evidencia a divisão da bancada. Os dois lançaram candidaturas avulsas e desbancaram o candidato oficial, Lúcio Vieira Lima (BA), irmão do ex-ministro Geddel Vieira Lima.

No vídeo da campanha, Fabinho Liderança diz que defenderá os interesses de cada deputado e que os colegas conhecem o "amigo que ele é".

Sem um vice-presidente da República, a vice-presidência da Câmara ganha mais peso, uma vez que o presidente da Casa, por ser o primeiro da linha sucessória, é solicitado mais vezes a assumir o comando do Palácio do Planalto.

Aproveitando o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da Presidência da Câmara em maio de 2016, o então primeiro vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA) causou polêmica ao anular a sessão plenária em que foi aprovada a admissibilidade do impeachment de Dilma Rousseff. No mesmo dia, ele revogou a decisão de cancelar o impeachment.

10 opiniões absurdas de políticos