POLÍTICA

'Apenas uma formalização': É o que Temer pensa sobre Moreira ministro

Nomeado para Secretaria de Governo, Moreira Franco foi citado 34 vezes na Lava Jato.

03/02/2017 15:30 -02 | Atualizado 03/02/2017 15:48 -02
Adriano Machado / Reuters
Posse de Moreira Franco como ministro da Secretaria-Geral da Presidência

Um dia após nomear Moreira Franco como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, o presidente Michel Temer afirmou que trata-se "apenas de uma formalização". Moreira era secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e já trabalhava no Palácio do Planalto. Ele foi citado 34 vezes na Operação Lava Jato.

Ao longo do tempo, o Moreira sempre foi chamado de ministro embora fosse apenas tipo um secretário executivo. Eu via nas viagens internacionais que fizemos, ele até chefiava delegações de ministros que nos acompanharam e foram por conta própria a vários países para incentivar os investimentos que pudessem vir para o país. Hoje, digamos, se trata apenas de formalização, porque na realidade o Moreira já era ministro desde então. Agora ele vem, na verdade, acrescido de outras tantas tarefas.Presidente Michel Temer em discurso de posse dos ministros nesta sexta-feira (3)

Nascido em 1944, Moreira filiou-se ao MDB, que deu origem ao PMDB, em 1972. No partido, ele chegou a comandar a Fundação Ulisses Guimarães, cargo que deixou ao integrar o governo Temer.

Além de governador do Rio de Janeiro entre 1987 e 1991, o peemedebista foi Secretário de Assuntos Estratégicos entre 2011 e 2013, no governo de Dilma Rousseff. Em seguida, comandou a Secretaria de Aviação Civil ainda na gestão petista.

A demissão de Moreira foi um dos motivos apontados por Temer na carta à Dilma.

A senhora, no segundo mandato, à última hora, não renovou o Ministério da Aviação Civil onde o Moreira Franco fez belíssimo trabalho elogiado durante a Copa do Mundo. Sabia que ele era uma indicação minha. Quis, portanto, desvalorizar-me. Cheguei a registrar este fato no dia seguinte, ao telefone.Carta de Michel Temer, em dezembro de 2015

Após o impeachment, Moreira passou atuar no setor de privatizações e parcerias do governo com os interesses privados, ficando responsável pelos leilões de aeroportos para consórcios privados.

O peemedebista é investigado na Lava Jato, entre outros motivos, por mensagens trocadas com o então presidente da empreiteira Andrade Gutierrez à época das privatizações.

De acordo com relatório da Polícia Federal, a suspeita é de irregularidade no leilão do Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais. O esquema teria movimentado plano R$ 45 bilhões, segundo as investigações. As mensagens entre Moreira e o empresário foram trocadas entre 2013 e 2014.

Na delação da Odebrecht, o novo ministro foi citado 34 vezes por Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da empreiteira. A acusação é que Moreira recebeu dinheiro para defender os interesses da construtora.

O peemedebista, apelidado de "angorá" na delação premiada, nega irregularidades. As 77 delações da Odebrecht foram homologadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana. Cabe agora à Procuradoria-Geral da República (PGR) pedir ao tribunal a abertura de inquéritos que julgar procedentes.

Nesta sexta-feira (3), ao ser nomeado, Moreira negou que a sua nomeação, que lhe confere foro privilegiado, seja similar à do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em março, o petista foi indicado por Dilma para o comando da Casa Civil após ter sido alvo de uma condução coercitiva.

"Não foi com nenhuma outra intenção se não a de dar mais eficiência, de dar mais força, mais material, conteúdo à ação do presidente e da presidência", afirmou Moreira."Não há absolutamente nenhuma tentativa de resolver uma crise política, um problema político, porque nós não estamos vivendo crise política", completou.

A Secretaria-Geral foi extinta em 2015, quando a atribuição principal da pasta era a articulação com movimentos sociais. Agora, além do PPI, o ministério abrigará as secretarias de comunicação, administração e cerimonial, antes vinculadas à Casa Civil e à Secretaria de Governo.

Entenda a Operação Lava Jato