POLÍTICA

Dona Marisa: De militante sindicalista a primeira-dama silenciosa

Companheira de Lula participou ativamente da fundação do PT

02/02/2017 12:58 -02 | Atualizado 02/02/2017 13:14 -02
AFP/Getty Images

A ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva, 66, teve morte cerebral nesta quinta-feira (2). Na noite de ontem, Marisa sofreu um aumento da pressão cerebral e piora no edema cerebral decorrente do derrame hemorrágico que teve uma semana atrás.

Hoje, a família Lula confirmou a morte cerebral de Marisa e agradeceu a solidariedade recebida desde que a ex-primeira-dama sofreu um AVC.

Nascida em 7 de abril de 1950 em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, Marisa Letícia Lula da Silva foi primeira-dama do Brasil entre 2003 e 2010, durante os dois mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República.

Ela começou na vida política militando ao lado do petista para que outras mulheres se juntassem ao movimento sindical em São Paulo.

Em 1978, iniciaram-se as greves no ABC paulista. Dois anos depois, Marisa liderou a Passeata das Mulheres, protesto com centenas de pessoas quando Lula e diversos sindicalistas estavam presos devido às paralisações. Nessa época, as reuniões do partido eram realizadas em sua casa.

Marisa participou ativamente da fundação do PT, em 1980, e chegou a cortar e costurar a primeira bandeira do partido. Também apoiou o marido durante as disputas ao Palácio do Planalto. Em 2003, se tornou primeira-dama do País.

Diferente da atuação política quando jovem, nos oito anos em que morou em Brasília, ela não participou ativamente de nenhum projeto, fato duramente criticado pela oposição à época.

Investigações

Na Operação Lava Jato, a ex-primeira-dama era ré junto com Lula em duas ações penais sob responsabilidade do juiz Sérgio Moro.

No inquérito que investiga o tríplex do Condomínio Solaris, no Guarujá, litoral paulista, a suspeita é de corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Marisa também é mencionada em investigações relacionadas à reforma de um sítio, em Atibaia (SP), usado pela família.

Em 4 de março de 2016, Marisa foi alvo da Polícia Federal de busca e apreensão na 24ª fase da Lava Jato.

Embaladora de bombons

Nascida Marisa Letícia Rocco Casa em uma família de imigrantes italianos, morou com os dez irmãos no sítio dos Casa até os cinco anos de idade.

Em 1955, Marisa e sua família mudaram-se para o centro de São Bernardo do Campo. Aos treze anos de idade, ela começou a trabalhar na fábrica de chocolates Dulcora, como embaladora de bombons, onde trabalhou por seis anos. Aos nove, havia sido babá das sobrinhas do pintor Cândido Portinari.

Aos dezenove, casou-se com o taxista Marcos Cláudio, assassinado a tiros em uma tentativa de assalto, seis meses após o casamento, quando Marisa estava grávida de Marcos, seu primeiro filho.

Depois de morar pouco mais de um ano com os sogros, Marisa começou a trabalhar de uma prima. Passou então a morar com a mãe, que morava na mesma rua do novo trabalho.

Em 1973, conheceu Lula no Sindicato dos Metalúrgicos de sua cidade natal. Os dois se casaram cerca de uma noa depois e tiverem três filhos: Fábio, Sandro e Luís Cláudio.

AVC hemorrágico

Dona Marisa sofreu em 24 de janeiro um acidente vascular cerebral (AVC). Ela passou mal no apartamento em que mora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista e foi levada para o Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista.

A Marisa se constituiu nesses 44 anos em um apoio fundamental ao Lula nas situações mais diversas. Nos momentos de dificuldade quando ele era presidente e depois com os problemas que aconteceram com ele próprio e ao PT. Ela é um apoio extraordinário ao presidente Lula. Eu sou testemunha disso.Vereador de São Paulo Eduardo Suplicy (PT)

De acordo com o cardiologista Roberto Kalil Filho, médico da família de Lula, a ex-primeira dama tinha o aneurisma há cerca de dez anos, mas, na época, não havia indicação cirúrgica para o caso.

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