COMPORTAMENTO

Meninas começam a duvidar de sua própria capacidade aos 6 anos. Mas não pensam assim sobre os meninos (PESQUISA)

30/01/2017 16:21 -02 | Atualizado 31/01/2017 19:58 -02
Blend Images - JGI/Jamie Grill via Getty Images

Meninas de apenas 7 anos já se sentem pressionadas a ter aparência perfeita. Professores dão notas melhores para garotas quando não sabem que elas são garotas. Estes dados foram comprovados por estudos científicos realizados recentemente.

Mas uma nova pesquisa publicada na revista Science traz mais um dado que impressiona: já aos 6 anos de idade, as meninas têm dificuldade de acreditar que são "brilhantes". Mas acham isso dos meninos.

O estudo foi feito por pesquisadores das universidades de Nova York, Illinois e Princeton, e comandado pela médica Lin Bian, da Universidade de Illinois.

A pesquisa, que colocou seu foco em estereótipos de gênero, investigou o comportamento em relação a habilidades intelectuais e sugeriu que os estereótipos surgem muito cedo e têm capacidade de influenciar.

girl school

Cerca de 400 crianças de 5, 6, e 7 anos (sendo todas americanas de classe média, em sua maioria brancas) participaram do experimento e receberam uma série de tarefas. Na primeira, as crianças ouviram uma história sobre alguém que era "muito, muito inteligente", sem que fosse revelado o gênero da pessoa.

Mas quando são requisitadas a adivinhar quem é o protagonista da história, com base em fotos de dois homens e duas mulheres, meninas e meninos tendem a escolher igualmente alguém do próprio gênero.

A partir dos 6 anos, porém, essa identificação começa a diminuir, pelo menos entre as meninas, o que pode indicar que é nessa idade que estereótipos sobre gênero começam a aparecer na reprodução do comportamento.

Os resultados mostraram que, aos cinco anos, tanto os meninos quanto meninas eram igualmente propensos a escolher seu próprio gênero como "muito, muito inteligente". Mas aos seis e sete anos, "as meninas eram significativamente menos propensas do que os meninos a associar o brilhantismo com o seu próprio gênero", disse o estudo.

Em outra parte da experiência, as crianças tiveram que adivinhar quem, em um grupo de dois meninos e duas meninas, tinha obtido as melhores notas na escola.

Neste caso, tanto as meninas mais jovens como as mais velhas eram mais propensas a apontar as meninas como as que tinham melhores notas, sugerindo que as "percepções das meninas sobre desempenho escolar estavam separadas das suas percepções sobre brilhantismo", disse o estudo.

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Finalmente, quando as crianças foram questionadas sobre seu interesse em dois novos jogos, um para "crianças que são muito, muito inteligentes" e o outro para "crianças que se esforçam muito", os pesquisadores descobriram que meninas com seis e sete anos tinham menos interesse do que os meninos no jogo para crianças inteligentes.

"Nossa sociedade tende a associar genialidade mais com homens do que com mulheres e essa noção acaba empurrando as mulheres para longe de trabalhos que são percebidos como aqueles que requerem genialidade", disse Lin Bian em comunicado distribuído à imprensa.

Aos cinco anos, as meninas eram tão propensas a escolher o jogo para crianças inteligentes como o jogo para as crianças que se esforçam.

A ideia da pesquisa foi checar se esses estereótipos já eram sentidos pelas crianças e esse teste sugeriu que sim, de modo a fazer até que as meninas evitem determinadas atividades. Bian pediu para que se evite, porém, generalizações.

"É provável que isso afete as aspirações profissionais das mulheres. Nós acreditamos que é importante explorar se e como as crianças menores começam a aprender esses estereótipos associados ao brilhantismo nos homens", conclui Lin.

Se já aos seis anos de idade as meninas são menos propensas a acreditar que elas são "brilhantes", e mais propensas a achar que os meninos são, a pesquisa mostra que ainda há muito para se fazer sobre a mentalidade rumo à igualdade entre os gêneros.

(Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo)

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