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Diretor e atriz iraniana vão boicotar premiação do Oscar de 2017 em protesto contra Trump

30/01/2017 12:28 -02 | Atualizado 31/01/2017 18:21 -02
Regis Duvignau / Reuters
Director Asghar Farhadi attends a news conference for the film "Forushande" (The Salesman) in competition at the 69th Cannes Film Festival in Cannes, France, May 21, 2016. REUTERS/Regis Duvignau

O cineasta iraniano e vencedor do Oscar, Asghar Farhadi, vai boicotar a cerimônia da premiação deste ano.

Para ele, não comparecer à premiação, é uma forma de protestar contra a proibição imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra viagens de pessoas do Irã e de outros seis países de origem islâmica.

Ao anunciar sua decisão, o diretor, que venceu o prêmio de melhor filme estrangeiro em 2012 com A Separação e voltou a ser indicado neste ano, comparou o governo Trump com a linha-dura do Irã, já que ambos usam o medo de estrangeiros fora "para justificar o comportamento extremista e fanático de indivíduos de mente estreita".

Farhadi enviou um comunicado que foi publicado pelo jornal norte-americano New York Times e parte da mídia iraniana:

"A linha-dura, apesar de suas nacionalidades, argumentos políticos e guerras, encara e entende o mundo praticamente da mesma maneira"

Ele continua:

"Para entender o mundo, eles não têm escolha a não ser encará-lo por meio de um 'nós e eles'... isso não está limitado aos Estados Unidos; no meu país a linha-dura é igual".

Farhadi ainda disse que não vai comparecer ao Oscar mesmo que receba uma permissão especial para viajar.

taraneh alidoosti

Taraneh Alidoosti, a protagonista de O Vendedor, de Farhadi, que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano, já anunciou que vai boicotar a cerimônia em protesto contra a proibição "racista" de viagem de Trump.

Farhadi é impopular com a linha-dura do regime iraniano, que criticou "A Separação" por ilustrar a desigualdade de gêneros no país e o desejo de muitos cidadãos de deixar a pátria.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas classificou o veto como "extremamente perturbador" depois de perceber que Farhadi e seu elenco e equipe poderiam ser impedidos de entrar nos EUA.

"A Academia celebra as conquistas na arte da cinematografia, que procura transcender fronteiras e falar a plateias de todo o mundo, independentemente de diferenças nacionais, éticas ou religiosas", disse a entidade no sábado (28).

A ofensiva de Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (27), um decreto que limitará a imigração e os refugiados de alguns países de maioria muçulmana e disse separadamente que quer que os EUA deem prioridade aos sírios cristãos que fogem da guerra civil.

Segundo ele, a medida imporá uma seleção mais rigorosa para impedir que terroristas estrangeiros entrem nos EUA. "Estou estabelecendo novas medidas de seleção para manter os terroristas islâmicos radicais fora dos Estados Unidos da América", disse Trump em cerimônia no Pentágono.

"Nós só queremos acolher em nosso país aqueles que apoiarão nosso país e amarão profundamente nosso povo", acrescentou.

Trump também assinou um decreto que, segundo ele, iniciará a reconstrução das Forças Armadas norte-americanas, "desenvolvendo um plano para novos aviões, novos navios, novos recursos e novas ferramentas para nossos homens e mulheres de uniforme".

Trump havia prometido as medidas, chamadas de "seleção extrema", durante a campanha eleitoral do ano passado, dizendo que impediriam que militantes entrassem nos Estados Unidos do exterior. Mas grupos de direitos civis condenaram o decreto como prejudicial e discriminatório.

Os detalhes do decreto não estavam disponíveis imediatamente. No Pentágono, Trump disse:

"Estou estabelecendo novas medidas de controle para manter os terroristas islâmicos radicais fora dos Estados Unidos da América. Não os quero aqui. Nós só queremos acolher em nosso país aqueles que apoiarão nosso país e amarão profundamente nosso povo"

Separadamente, Trump disse que os sírios cristãos terão prioridade quando se trata de solicitar o estatuto de refugiado, mas especialistas jurídicos disseram que distinguir uma determinada religião pode ser classificada como uma violação da Constituição dos Estados Unidos.

(Com informações da Reuters)

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