NOTÍCIAS

Esta é a resposta de Trump para os protestos e recursos judiciais após veto a imigrantes nos EUA

29/01/2017 17:20 -02 | Atualizado 31/01/2017 18:21 -02
Pool via Getty Images
WASHINGTON, DC - JANUARY 28: President Donald Trump signs three executive actions in the Oval Office on January 28, 2017 in Washington, DC. The actions outline a reorganization of the National Security Council, implement a five year lobbying ban on administration officials and a lifetime ban on administration officials lobbying for a foreign country and calls on military leaders to present a report to the president in 30 days that outlines a strategy for defeating ISIS. (Photo by Pete Marovich - Pool/Getty Images)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump reagiu neste domingo (29) às críticas internacionais crescentes, revolta de ativistas de direitos civis e recursos judiciais à sua ordem abrupta de suspender a chegada de refugiados e pessoas de sete países de maioria muçulmana.

Em sua mais ampla ação desde que assumiu a Presidência em 20 de janeiro, o republicano adotou na sexta-feira uma suspensão de 120 dias à entrada de refugiados ao país, baniu indefinidamente refugiados da Síria e proibiu por 90 dias cidadãos do Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.

"Nosso país precisa de fronteiras fortalecidas e processos extremos de vetos, AGORA. Olhe o que está acontecendo em toda a Europa e, na verdade, do mundo - uma horrível bagunça!", escreveu Trump no Twitter neste domingo (29).

"Cristãos no Oriente Médio têm sido executados em altos números. Não podemos permitir que esse horror continue!", acrescentou Trump, que apresentou a política como uma maneira de proteger norte-americanos da ameaça de militantes islâmicos.

Grupos religiosos e de direitos de civis, ativistas e políticos democratas prometeram lutar contra a ordem, que causou caos e confusão para viajantes afetados e motivou protestos em vários aeroportos norte-americanos ao longo do sábado.

donald trump

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, um republicano, expressou críticas veladas. Falando ao programa This Week, da ABC, ele disse que é uma boa ideia apertar o cerco ao processo de entrada de imigrantes, mas que:

"é importante lembrar que algumas das nossas melhores fontes na guerra contra o terrorismo radical islâmico são os muçulmanos, tanto no nosso país quanto em outros... Precisamos ter cuidado ao fazer isso".

Um colega republicano no Senado, John McCain, foi mais crítico, dizendo que o decreto foi um processo confuso e poderia dar ao Estado Islâmico material para propaganda.

Outros países condenaram a ordem, inclusive aliados tradicionais dos Estados Unidos.

Na Alemanha - que recebeu muitas pessoas fugindo da guerra civil da Síria - a chanceler Angela Merkel disse que a luta global contra o terrorismo não é desculpa para as medidas e "não justifica colocar pessoas de um passado ou de uma fé específicos sob suspeita geral", disse seu porta-voz.

Um juiz federal do Brooklyn, em Nova York, concedeu um adiamento temporário no fim do último sábado. A União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), representando dois iraquianos pegos pelo decreto enquanto voavam para o país, defendeu com sucesso uma permanência temporária que permitiu aos viajantes ficarem nos EUA.

A justiça contra Trump

A ação da corte não reverteu o decreto de Trump, mas impediu que aqueles que tiveram a entrada ao país negada fossem deportados. Anthony Romero, diretor-executivo da ACLU, previu em entrevista com a CNN neste domingo (29) que o caso poderia acabar na Suprema Corte.

Separadamente, um grupo de promotores estaduais discutiam se entrariam com suas próprias petições contra o decreto de Trump, disseram autoridades de três Estados à Reuters. Outros grupos estão de olho em um recurso constitucional com base em discriminação religiosa.

Juízes federais em três Estados acompanharam a decisão de uma juíza de Nova York e impediram autoridades de deportar viajantes afetados pelo decreto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impõe restrições a imigrantes de sete países de maioria muçulmana.

Os juízes de Massachusetts, Virginia e Washington emitiram suas decisões no final do sábado ou no começo do domingo.

No sábado, a juíza Ann Donnelly, de Brooklyn, em Nova York, ordenou que as autoridades não deportassem refugiados previamente aprovados desses países. Ela decidiu em um processo legal de dois homens iraquianos que foram retidos no Aeroporto Kennedy.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos disse, em um comunicado no domingo, que cumprirá as ordens judicial ao mesmo tempo em que implementará o decreto de Trump "para garantir que aqueles que entram nos Estados Unidos não apresentam ameaças para nosso país e para o povo norte-americano".

Pelos Estados Unidos, advogados trabalharam a noite inteira para ajudar viajantes presos na confusão dos aeroportos, depois que o presidente republicano decidiu na sexta-feira impedir a imigração de sete países e temporariamente paralisou a entrada de refugiados.

Advogados e procuradores disseram que enviaram petições em mais de 100 casos para viajantes ao redor do país.

Em Boston, a juíza Alisson Burroughs emitiu no domingo uma ordem temporária bloqueando a remoção de dois iranianos que davam aulas na Universidade de Massachusetts e haviam sido detidos no Aeroporto Internacional de Logan

donald trump

Trump, empresário de sucesso que explorou com sucesso o medo dos norte-americanos em relação a ataques de militantes islâmicos durante a campanha, prometeu o que ele chamou de "processo extremo de veto" a imigrantes e refugiados de áreas que a Casa Branca e o Congresso consideram de alto risco.

O Departamento de Segurança Interna disse que por volta de 375 viajantes foram afetados pelo decreto, 109 dos quais estavam em trânsito e tiveram a entrada nos EUA negada. Outros 173 foram barrados pelas companhias aéreas antes de entrar no avião.

O decreto "afeta uma porção mínima de passageiros internacionais", disse o departamento em um comunicado, dizendo que a medida foi "inconveniente" para menos de 1 por cento das chegadas diárias de estrangeiros aos aeroportos americanos.

LEIA MAIS:

- 5 motivos pelos quais Donald Trump será o próximo presidente dos Estados Unidos

- O discurso de Angela Davis na 'Marcha das Mulheres' e a resistência contra Trump