ENTRETENIMENTO

O BBB 17 mal começou e Gabriela Flor já foi alvo de comentários racistas dentro da casa

27/01/2017 18:05 -02 | Atualizado 31/01/2017 18:21 -02
Divulgação/Rede Globo

Ano passado, logo no início do Big Brother Brasil, uma questão envolvendo um boneco-esponja negro e com cabelo black power disposto na cozinha da casa tomou uma grande proporção e levantou um debate nas redes sociais sobre a reprodução de estereótipos negativos relacionados ao cabelo crespo no Brasil.

E quem achou que em 2017 a descriminação e o racismo passariam longe do reality show se enganou. Uma das participantes do reality, Gabriela Flor, que é baiana, dançarina e negra, de 27 anos, foi vítima de comentários machistas e racistas na noite da última quinta-feira (26).

A bailarina foi motivo de piada na mão de Antônio, um dos gêmeos que disputam uma vaga na casa, Vivian e Mayara. As sisters alfinetaram a baiana, e chegaram a chama-lá de 'piranha'.

Na mesma noite, Manoel, irmão de Antônio, apelidou a sister de Valderrama, jogador colombiano, por conta do seu cabelo black power. E zombou do jeito com que ela dançou em um momento na casa:

Mayara, que ganhou a prova do líder, menosprezou o cabelo crespo de Gabriela em uma conversa sobre o paredão e disse:

"Eu vou votar nela e se ela falar alguma coisa pra mim, vai ouvir que precisa alisar o cabelo crespo".

Pouco antes, Antônio disse que a participante "deve ser macumbeira", pelo fato de ela ser baiana e negra.

Nas redes sociais, os comentários foram quase unânimes contra os comentários dos participantes. E a indignação com os comentários feitos pelos brothers foi unânime:

Racismo x Injúria racial

O crime de injúria racial está previsto no artigo 140, parágrafo 3 do Código Penal e consiste em "ofender a honra de alguém com a utilização de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem". A acusação por injúria permite fiança e tem pena de no máximo oito anos, embora não costume passar dos três anos.

Já o crime de racismo, previsto na Lei 7.716/89, não prescreve e não há direito à fiança. Para ser enquadrado neste crime a pessoa tem de menosprezar a raça de alguém, seja por impedindo o acesso a determinado local ou negando emprego baseado na raça da pessoa, por exemplo. A pena incluem multa e prisão, que varia de caso a caso.

Não é a primeira polêmica da edição

O gêmeo Manoel, que disputa uma vaga definitiva no Big Brother Brasil com o irmão Antônio, soltou um comentário homofóbico que causou discussões nas redes sociais.

Após a estreia da 17ª edição do programa na última segunda (23), a produção organizou uma pequena festa para os participantes e Manoel teria dito que não iria dançar as músicas que estavam sendo tocadas porque elas eram "músicas de gays".

"Essas musiquinhas de baitola, mô (sic) de boate gay", disse o gêmeo na casa quando começou a tocar pop".

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