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A Fernanda Lima conseguiu colocar o feminismo em pauta no horário nobre da Rede Globo

27/01/2017 16:31 -02 | Atualizado 31/01/2017 18:21 -02
Divulgação/TVGlobo

"Hoje é o seguinte: vamos esclarecer conceitos, limpar rótulos, e gritar que a luta pela igualdade de direitos, desde a queima dos sutiãs, segue firme e forte."

A reestreia do programa Amor & Sexo, na Rede Globo, começou com esta fala da apresentadora Fernanda Lima. Ela, que também é responsável pelo roteiro do programa, conseguiu colocar em pauta na maior emissora do País uma discussão mais do que necessária na noite de ontem, quinta-feira (26): direito das mulheres.

E a principal ordem do programa foi:

Direitos das mulheres, igualdade de gênero, homofobia, transfobia e machismo foram trabalhados no programa de forma didática e contundente.

Karol Conka, Elza Soares, Gaby Amarantos, Djamila Ribeiro, Antonia Pellegrino e Monique Prada, direcionaram o debate junto com Fernanda Lima. E, do elenco fixo, Otaviano Costa, Mariana Santos, José Loreto, Dudu Bertholini, Eduardo Sterblitch.

Assim que começou, o programa logo chegou aos Trending Topics do Twitter:

Em entrevista ao Ego, Fernanda Lima disse:

"Estou muito satisfeita com essa décima temporada, com o que a gente conseguiu, com as músicas costurando todo o programa, falando mais uma vez de assuntos que a gente considera muito relevantes e, por incrível que pareça, a cada ano surgem ainda mais assuntos que precisam ser debatidos. Posso dizer que a gente tem aprofundado mais esses assuntos, mas nunca deixa de se divertir".

O programa trouxe questões tão importantes sobre feminismo e igualdade de gênero que, por isso, aqui estão três momentos do Amor & Sexo desta quinta (26) que valeram muito assistir -- e vale a pena ver de novo:

1. Um manifesto pela liberdade

Junto com Fernanda Lima, as bailarinas e convidadas do programa "queimaram" sutiãs detonar estereótipos e ideias naturalizadas pelo pensamento machista. "Eu não mereço ser estuprada", "Eu não preciso vestir 36" foram algumas delas. Assista:

2. Gaby Amarantos e o lugar de fala

Após Fernanda Lima conversar com os convidados sobre representatividade das mulheres em cargos altos de empresas e também na política, Otaviano Costa fez o seguinte comentário:

"Eu também queria propor uma reflexão sobre uma brincadeira que a gente fez aqui. Quando a gente colocou de cara, aqui, um on off na gente, aqui, nos homens, eu me senti excluído de um movimento que eu estou afim de defender pra caramba. Então eu acho que antes de fechar as bocas, ouçam as ideias"

E Gaby Amarantos, que estava ao lado de Otaviano, retrucou:

"Eu acho que a gente já ouviu muito a voz dos homens. Agora é a nossa vez de falar. Os homens precisam entender isso: "É a minha vez de deixar elas falarem". As mulheres já ficaram muitos anos caladas."

Ao final da fala de Gaby, ele disse "é, mas eu não concordo". Assista ao momento aqui.

O chamado lugar de fala é algo que é muito discutido em debates sobre direitos das mulheres, LGBT e movimento negro. Ou seja, quem sofre preconceito fala por si, como protagonista da própria luta e movimento. Por isso, a participação de homens no debate feminista é tão discutida.

3. Não dá para falar de feminismo sem falar de racismo

Em determinado momento do programa, Fernanda Lima diz:

"Olha só, eu reconheço o meu lugar de mulher branca, eu nunca senti a dor de uma mulher negra e, por isso, eu também não posso falar sobre essa dor. Mas como mulher e cidadã que acredita na igualdade eu não quero ficar longe dessa luta e nem de tantas outras lutas que a gente faz questão de levantar aqui no programa ano após ano."

Em seguida, ela pergunta a Djamila Ribeiro como é que ela pode ajudar nessa luta. E Djamila responde:

"Primeiro eu acho que é o reconhecimento, mesmo do privilégio. Depois é preciso entender que como mulheres, nós somos diversas e que mulheres negras, por combinarem opressões como o racismo e o machismo acabam ficando em um lugar muito maior de vulnerabilidade. E, depois, dentro do movimento, se somar às nossas questões, dar visibilidade às questões das mulheres negras, e que sem as mulheres negras, que é a maioria das mulheres no Brasil, não existe feminismo. Se mulheres negras são mulheres, necessariamente o racismo tem que ser uma pauta feminista".

4. Em briga de marido e mulher se mete a colher, sim

O momento de maior seriedade aconteceu quando o tema da violência contra a mulher entrou em pauta, sendo expressa em números para ninguém duvidar. Atualmente, o Brasil é o quinto país do mundo em um ranking de violência contra a mulher.

Em seguida, Elza Soares, cantou ao lado de Karol Conká, e encerrou o programa com a canção Maria de Vila Matilde, música que fala sobre violência doméstica e faz um clamor para que as mulheres denunciem no ligue 180 a violência que sofrem dentro de casa.

Assista o programa na íntegra aqui.

Não silencie!

"Foi só um empurrãozinho", "Ele só estava irritado com alguma coisa do trabalho e descontou em mim", "Já levei um tapa, mas faz parte do relacionamento". Você já disse alguma dessas frases ou já ouviu alguma mulher dizer? Por medo ou vergonha, muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica, continuam caladas.

Desde 2005, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona em todo o Brasil e auxilia mulheres em situação de violência 24 horas por dia, sete dias por semana. O próximo passo é procurar uma Delegacia da Mulher ou Delegacia de Defesa da Mulher. O Instituto Patrícia Galvão, referência na defesa da mulher, tem uma página completa com endereços no Brasil. Clique aqui.

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