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Polícia Federal investiga ida de Eike a Nova York na véspera de prisão

26/01/2017 14:44 -02 | Atualizado 26/01/2017 14:44 -02
José Cruz/Agência Brasil

O advogado do empresário Eike Batista, Fernando Martins, afirmou que está intermediando com a Polícia Federal o retorno do dono do grupo EBX para o Brasil. Ele está em Nova York, nos Estados Unidos.

Alvo da Operação Eficiência, na manhã desta quinta-feira (26), Eike teve a prisão preventiva decretada. A suspeita é que o empresário tenha pago propina para uma organização criminosa chefiada pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

Cabral está preso desde 17 de novembro, sob a acusação de receber propina para fechar contratos públicos no estado. Nesta sexta, foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva.

Ao G1, o advogado afirmou que o o empresário não esperava ser alvo da operação, mas que está "à disposição para esclarecer tudo".

"Ele está surpreso em função de tudo que aconteceu de uma hora para outra, mas não está nervoso, está tranquilo", afirmou Martins.

O empresário só passa ao status de foragido se não se comprometer a voltar para o Brasil.

Eike deixou o Brasil na terça-feira (24), antes de ter a prisão preventiva pedida pelo juiz federal Marcelo Brêtas. A Operação Eficiência foi desencadeada na manhã desta quinta eEike Batista não foi encontrado em sua casa, no Jardim Botânico, no Rio.

A Polícia Federal investa o vazamento de informações sobre a prisão. Nesta quarta-feira (25), Eike reservou uma passagem apenas de ida para os Estados Unidos.

Um mandado de prisão internacional será pedido pela Polícia Federal à Interpol para o empresário, com cumprimento imediato.

De acordo com Polícia Federal, ele usou o passaporte alemão para viajar, que dá acesso aos países do Espaço Schengen, na Europa.

Operação Eficiência

Etapa da Lava Jato no Rio, a Operação Eficiência investiga a ocultação de mais de 100 milhões de dólares (R$ 317 milhões), através de remessas para o exterior.

De agosto de 2014 a junho de 2015, a organização criminosa movimentou R$ 39,7 milhões, segundo os procuradores responsáveis pela investigação.

Segundo o MPF, um dos esquemas investigados é o pagamento de uma propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador por Eike Batista e Flávio Godinho, do grupo EBX, a pedido de Cabral, usando a conta Golden Rock no TAG Bank, no Panamá.

Para dar uma aparência de legalidade à negociação, foi fechado um contrato de fachada para a compra de uma mina de ouro entre a empresa Centennial Asset Mining Fuind Llc, holding de Batista, e a empresa Arcadia Associados.

Eike Batista, Godinho e Cabral também são suspeitos de terem tentado atrapalhar as investigações.

ATUALIZAÇÃO

O nome do empresário Eike Batista, alvo de um mandado de prisão preventiva da operação Eficiência, foi incluído na difusão vermelha da Interpol.

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