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Âncora da GloboNews critica remoção de grafite em São Paulo: 'Atitude autoritária da prefeitura'

26/01/2017 08:48 -02 | Atualizado 26/01/2017 08:48 -02
Montagem/Reprodução GloboNews/Facebook

Nesta semana, o prefeito de São Paulo, João Doria, foi alvo de diversas críticas pela decisão de remover grafites da Avenida 23 de Maio, na zona sul da cidade. Além de grafiteiros e urbanistas, a imprensa também questionou de maneira incisiva a guerra do tucano contra o grafite e a pichação.

A GloboNews destacou que o corredor agora mais cinza já foi considerado o maior mural a céu aberto da América Latina. As reportagens exibidas pelo canal mostram que não houve discussão entre o prefeito e os artistas de rua antecedendo essa ação do programa Cidade Linda.

Entrevistado pelo canal na segunda-feira (23), o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano opinou que o prefeito não compreende o valor da arte urbana.

"Essa retirada dos grafites no âmbito de uma crítica à pichação demonstra um entendimento equivocado. O grafite é diferente da pichação... Ele conquistou, desde a década de 80 em São Paulo, uma legitimidade institucional, cultural e artística. Foi exposto em Bienal, no MIS, no Masp. Então, não se pode confundir essas duas coisas. O grafite é parte do espaço público, então ele não pode ser apagado de uma maneira autoritária, impositiva."

A âncora da GloboNews Aline Midlej questionou então o especialista sobre o modelo ideal para levar a arte urbana para São Paulo e concordou que a conduta da gestão Doria nessa questão foi "autoritária".

"Que tipo de modelo o professor sugere que a gente traga pra São Paulo? Porque esse tipo de atitude autoritária por parte da prefeitura reforça já uma ideia muito distorcida, muito estigmatizada, desse tipo de arte [grafite]. A pessoa acaba achando tudo igual. 'Grafite é igual à pichação, é vandalismo, não é legal pra cidade.'"

Assista à cena aqui.

Nakano explicou que a arte urbana é transitória e pode sofrer transformações. Por isso, é necessário um "canal permanente entre poder público, classe artística e sociedade".

Em nota, a prefeitura de São Paulo criticou a "parcialidade" do telejornal e disse que está aberta ao diálogo.

A GloboNews explicou que o prefeito foi procurado, mas não participou ao vivo do programa.

"Não há parcialidade, há vontade de ter uma cidade melhor e mais bonita", esclareceu Midlej.

Também no programa Em Pauta, do canal, a jornalista Elisabete Pacheco considerou que houve um equívoco na postura do prefeito.

"No mínimo foi uma decisão equivocada. E fora de hora inclusive", criticou, referindo-se ao aniversário de 463 anos de São Paulo, comemorado nesta quarta-feira (25). "[Foi] um presente cinza para uma cidade cinza."

O secretário municipal de Cultura, André Sturm, já adiantou que a 23 de Maio poderá voltar a ter cor.

No início da semana, ele disse que a prefeitura está estudando organizar um Festival do Grafite, com "artistas selecionados", para devolver tons mais alegres à via.

Sturm admitiu que houve "ruído" pela retirada dos grafites e que a área "ficou muita cinza".

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