LGBT
25/01/2017 13:48 -02 | Atualizado 05/02/2017 22:47 -02

A 'vaquinha' da Casa1 deu muito certo e ela se transformou em um local de acolhimento para LGBTs

Reprodução/Facebook

"Pai, mãe, eu sou gay".

Uma frase simples como essa deveria ser sinônimo de liberdade e acolhimento, mas, na maioria dos casos, é motivo de exclusão e violência.

Segundo relatório do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, publicado em fevereiro de 2016, no então governo Dilma, a maior parte das violências sofridas por pessoas LGBT ocorrem principalmente no lugar que deveria lhes servir de proteção e acolhimento: em casa. 36,1% das violações contra lésbicas, gays, bissexuais ou transgêneros registradas em 2013 ocorreram no ambiente familiar.

Foi pensando em acolher estas pessoas de uma forma amorosa e digna, que o jornalista Iran Giusti criou o projeto Casa 1. Graças a um financiamento coletivo feito no ano passado, o projeto ganhou vida e será inaugurado hoje, quarta-feira (25).

"A ideia, que temos chamado de República do Acolhimento, é oferecer oportunidades, sociabilidade, espaço para iniciar um negócio, um projeto, uma ideia, uma atividade de artística. É também um espaço para criar, para os LGBT fazerem coisas para eles mesmos, com o auxílio de uma rede voluntária", contou o jornalista em entrevista ao HuffPost Brasil.

Com a 'vaquinha' virtual, em um mês e meio, o projeto arrecadou R$ 112 mil, oferecendo aos 1.048 colaboradores recompensas como a inscrição do nome dos participantes na parede externa da Casa e outras 32 opções de palestras, workshops e cursos. Hoje, na inauguração, a Casa 1 ficará aberta das 14h às 22h.

Tudo o que tem hoje na casa como eletrodomésticos e móveis foi conseguido por doação. Segundo o Estadão, o primeiro morador chegou no dia 2 de janeiro e o lugar já tem cinco moradores. E não são só de São Paulo, não. Alguns são do Rio, de Minas e até do interior de Sergipe.

Ainda segundo o jornal, a capacidade máxima da casa é para 12 moradores, que podem ficar até três meses.

Uma violência que deixa marcas invisíveis

Um esboço do projeto surgiu em 2015 após Iran ouvir muitas histórias semelhantes de abandono. Ele decidiu disponibilizar um sofá em sua casa e fez um post nas redes sociais para divulgar. Em pouco tempo, segundo ele, aproximadamente 50 pessoas LGBTs apareceram pedindo ajuda.

O mesmo estudo citado no início da matéria diz que 25,7% das ocorrências foram na casa da vítima, 6% na do suspeito e 4,4% na de ambos ou terceiros. 32,1% das vítimas disseram conhecer os suspeitos de cometer a violência.

A pesquisa ainda mostra com números uma realidade, infelizmente, que facilita a vulnerabilidade desta população: se a primeira instituição com a qual um LGBT tem contato, a família, não o acolher desde o início de sua vida, ele possivelmente crescerá em condições de violações e muito sofrimento.

Como fazer para ser acolhido pela Casa 1

A Casa 1 se define como "uma república de acolhimento onde tentamos ao máximo auxiliar cada residente para que tenham e aproveitem oportunidades que, em geral não lhes são dadas por conta do preconceito".

Para ser um morador é preciso ter mais de 18 anos e ter sido expulso de casa por ser LGBT (ou estar em situações extremas de violência psicológica). Enquanto o acolhimento e refeições são por conta dos organizadores do projeto, a manutenção do espaço como limpeza, organização e preparo das comidas ficam com os residentes.

O espaço ainda oferece apoio psicológico e médico a quem necessita. Se você quiser ser um voluntário pode se candidatar clicando aqui.

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